• Por João Baptista Herkenhoff

Que o ódio insano não se cala nem diante da morte ficou provado quando faleceu Marisa Letícia, esposa de Lula.

A mulher de Lula era ré em ação penal, no “caso triplex’’, por lavagem de dinheiro.

A Defesa de Marisa pediu “a absolvição sumária em decorrência da extinção da punibilidade”.

O Ministério Público Federal concordou com o pleito da Defesa.

Entretanto o juiz indeferiu o pedido afirmando: “cabe, diante do óbito, somente o reconhecimento da extinção da punibilidade, sem qualquer consideração quanto à culpa ou inocência do acusado falecido em relação à imputação”.

Ou seja, mesmo depois de morto, o morto não deve ter paz.

Não percebeu o julgador a razão humana que justificaria a absolvição.

Preferiu optar pela frieza, que amesquinha o Direito.

O humanismo não desmerece o magistrado.

Ao contrário, engrandece seu papel.

Juiz desumano assemelha-se monstro e não tem a marca do verdadeiro juiz.

É temido porque o homem prudente teme as feras.

  • João Baptista Herkenhoff

Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor

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