Presidente da Fiems, Sérgio Longen – Divulgação

“Hoje não tem dinheiro para a Educação, amanhã falta para a Saúde, e depois para pagar o aposentado, o assalariado”. Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o congelamento de R$ 1,7 bilhões de recursos que seriam destinados universidades públicas do Brasil é um dos efeitos da demora da aprovação da Reforma da Previdência.

Segundo Longen, a expectativa do setor industrial do País era de que as novas regras para aposentadoria fossem aprovadas ainda no ano passado, antes do fim do governo Michel Temer. Com o atraso nas discussões em torno do texto, o empresário defende que a reforma seja aprovada “para já”.

“Acredito que a reforma tem que ser aprovada para já, de forma que traga uma economia significativa e, combatendo, principalmente, os privilégios. Só que esses privilegiados são fortes politicamente, então, essa é uma discussão que vai se alongar, quando na verdade, já passou da hora de a reforma ser aprovada”, avaliou o presidente da Fiems.

O empresário reforça que o anúncio de contingenciamentos por parte do governo federal é sintomático, e representa os primeiros sinais de que o modelo atual de Previdência é insustentável. “Nós já defendíamos essa bandeira da reforma da Previdência desde lá de trás, de 2017, porque tínhamos estudos em mãos. Agora, começam a surgir ações que começam a preocupar, como os que já estamos vendo agora, que são os contingenciamentos. O governo não tem dinheiro para pagar a conta, e isso vai ficar cada vez mais evidente, porque a sociedade vai começar a sentir”, completou.

Distorções

O presidente da Fiems também aponta os aspectos positivos e negativos sobre a forma como a reforma da Previdência tem sido conduzida. “Uma coisa boa é que passamos a saber quem são os grandes privilegiados, o que fazem e quais são seus salários. E, para mim, é nesse combate aos privilegiados que está a grande discussão”, analisou.

Por outro lado, Longen considera que, no passado, houve falhas na forma como as mudanças foram apresentadas à sociedade. “Tínhamos condições políticas mais favoráveis para discutir e aprovar a reforma, mas, a meu ver, algumas falhas foram cometidas. Foi vendido para a sociedade que os menos favorecidos, os que recebem um valor menor da aposentadoria, serão prejudicados. Quando, na verdade, não é isso que o projeto busca”, considerou o empresário, referindo-se ao momento em que o texto proposto pelo governo começou a tramitar na Câmara dos Deputados.

Previdenciômetro

Em junho de 2017, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), entidade que representa a indústria no âmbito nacional, divulgou um levantamento apontando o rombo na Previdência, o chamado “Previdenciômetro”. Conforme a ferramenta, se o Brasil tivesse feito a reforma em 1º junho de 2017 (quando foi iniciada a contagem do Previdenciômetro), a economia para os cofres públicos já seria de R$ 10,21 bilhões a mais até a data de hoje (20/05).

Com este dinheiro seria possível, por exemplo, construir 2.456 escolas, 409 hospitais, 162.158 moradias populares, ou, ainda, 6.811 quilômetros de estradas. Em 2018, o rombo nas contas da previdência atingiu R$ 290,3 bilhões, valor 8% superior ao de 2017, sem considerar a inflação. A PEC 6/2019, que trata da Reforma da Previdência, foi encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso no dia 20 de fevereiro. Atualmente, o projeto tramita na Comissão Especial criada para analisar o texto.