Comportamento pode até significar fome, mas normalmente está relacionado a problemas psicológicos

Sabe aquele típico comportamento de ir até a geladeira durante a noite ou madrugada para comer, mesmo sem fome? Não importa o que tiver na geladeira, tudo passa a ser extremamente saboroso. A qualidade ou a quantidade de alimento fica em segundo plano – o que importa é saciar o desejo.

De vez em quando, não há problema algum em atacar a geladeira em busca de comida. Mas esse comportamento pode ser um alerta quando acontece com muita frequência. Para quem está de fora pode parecer algo insignificante, mas para quem se encontra nesse contexto pode ser desagradável. O primeiro passo é identificar se a procura por alimento deriva de uma carência do corpo (fome), ou se acontece por impulso ou compulsão alimentar.

O segundo caso merece mais atenção porque se trata de um problema psicológico. Compensar o emocional com a comida pode ter consequências graves, já que o indivíduo toma medidas paliativas para solucionar questões psicológicas. Além disso, o comportamento recorrente também pode desencadear doenças relacionadas com o sobrepeso e com outras disfunções do organismo.

Neste caso, o melhor a se fazer é procurar um psicólogo. Existem várias linhas e metodologias para cuidar da saúde mental e a indicação é procurar por alguém com a qual a pessoa se sinta confortável para compartilhar sua realidade. Só esse profissional poderá investigar o que deriva da impulsividade e compulsão alimentar e poder orientar quem sofre dessa condição.

Para quem não sofre de problemas psicológicos e apenas precisa de orientação sobre reeducação alimentar, também existem algumas dicas. Uma das principais é não se privar dos alimentos. Se não for parte de um programa alimentar sério e validado por um profissional de saúde, ficar longos períodos sem comer só para emagrecer não é uma estratégia eficiente. Ao contrário: em privação de comida, a chance de ‘assaltar’ a geladeira em busca de refeições e alimentos em grande quantidade aumenta.

Investir nos alimentos naturais e que trazem saciedade também é importante. Portanto, o velho lema de evitar comidas ultra-processadas e industrializadas, com muito sódio e açúcar, continua valendo, sobretudo à noite, quando a disponibilidade aos alimentos é maior. Também não se apegue ao mito de que o café da manhã é o mais importante do que outras refeições. Cada organismo reage de uma forma e há aqueles que precisam de mais energia à noite, por exemplo, por causa da realização de exercícios.

As crenças limitantes também podem atrapalhar o processo de se tornar mais saudável. Acreditar que a simples substituição de um alimento calórico por outro alimento completamente diferente pode não ser o melhor caminho. O mais indicado, nesses casos, é continuar consumindo alimentos mais calóricos, como chocolate, mas em menor quantidade. O desafio é manter o autocontrole para dividir o consumo ao longo da semana. Apesar de não ser uma tarefa fácil, não é impossível.