Setor produtivo de MS convoca Comitê de Monitoramento da Crise para amenizar prejuízos com greve

A reunião foi realizada no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande – Assessoria

O setor produtivo de Mato Grosso do Sul, representado pela Fiems, Fecomércio-MS, Famasul, Faems, FCDL, Amas e Sebrae/MS, convocou, nesta segunda-feira (28/05), o CMC (Comitê de Monitoramento de Crise) para apresentar propostas para amenizar as perdas da sociedade como um todo em razão da greve dos caminhoneiros. A reunião, realizada no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), contou também com a presença do secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, do presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativa, deputado estadual Paulo Corrêa, e do comandante do CMO (Comando Miliar do Oeste), general de Exército José Dias Freitas.

Segundo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, os prejuízos apenas do setor do industrial já chegam a R$ 400 milhões. “A sociedade já começa a perceber que mesmo com uma reivindicação válida começa a trazer prejuízos para todos. Não suportamos essa situação, entendemos que a manifestação já surtiu efeito e de agora para frente precisamos encontrar uma solução de sair dessa crise e é isso que fizemos no dia de hoje”, afirmou.

Ele informa que durante a reunião o Comitê de Monitoramento de Crise apresentou como propostas a redução da alíquota do ICMS do diesel de 17% para 12% e os parcelamentos do ICMS que vence no próximo dia 5 de junho e da ST (Substituição Tributária), que vence no dia 25 de junho. “A redução da alíquota do ICMS do diesel atende às necessidades do agronegócio e beneficia também os caminhoneiros. Nós, empresários, também precisamos dessa redução para garantirmos a competitividade”, acrescentou.

Longen ainda destacou que outra preocupação do setor empresarial é com relação ao pagamento dos salários dos trabalhadores. “Por isso trouxemos representantes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, que apresentaram taxas bastante interessantes. A Caixa tem proposta de capital de giro com até 60 meses para pagar e até 12 meses de carência a um juro de 0,83% ao mês. O Banco do Brasil também tem recursos suficientes para atender demandas das empresas, com juros que vão até 6% ao ano”, completou.

O presidente da Famasul, Maurício Saito, reforçou que com o agronegócio é responsável por 95% de todas as exportações de Mato Grosso do Sul e, devido ao fato de estar tudo parado, o prejuízo é total. “A manifestação dos caminhoneiros teve o apoio do setor agropecuário, por ser legítima, mas também temos o bom senso da necessidade de haver um equilíbrio, para que possamos fazer o trânsito daquilo que é necessário, como mantimentos, perecíveis, medicamentos”, falou.

Ele ainda ressaltou que demanda da redução do ICMS é uma pauta defendida pelo setor justamente por afetar não só o produtor rural, mas a sociedade como um todo. “Em relação a última safra houve um incremento de 20% no valor do óleo diesel, e as operações agrícolas estão vinculadas a esse aumento, por isso acreditamos ser necessária essa redução”, salientou.

De acordo com o presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul), Mansour Karmouche, o TRT/MS (Tribunal Regional do Trabalho) suspendeu as audiências nesta semana, o TJMS (Tribunal de Justiça do Estado) só na data de hoje, o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que atende São Paulo e Mato Grosso do Sul, suspendeu prazos e audiências nos dois Estados. “Já estamos, há algum tempo, lutando contra o aumento da carga tributária e, hoje, junto com a Fiems e outras entidades do setor produtivo, estamos pleiteando a diminuição desta carga, em detrimento da grande maioria dos brasileiros”, declarou.

O general de Exército José Dias Freitas garantiu o abastecimento de outros produtos além do combustível, que já está sendo escoltado no Brasil pelas Forças Armadas, e avaliou a reunião do Comitê de Monitoramento de Crise como extremamente produtiva. “É muito importante termos lideranças da sociedade se movimentando para buscar uma solução de consenso para o que estamos enfrentando. É um momento grave, nós enfrentamos sérios problemas de desabastecimento. Não analisamos o pleito da paralisação e sim as consequências e contra essas consequências é que temos de trabalhar, como o desabastecimento da população, paralisação de serviços essenciais, dos empresários aqui”, finalizou.

Já o deputado estadual Paulo Corrêa afirmou que defenderá as propostas apresentadas pelo CMC na Assembleia Legislativa. “Como presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio da Assembleia, nunca faltei com meus compromissos quando solicitado e não será diferente agora e levarei esse pleito à frente”, afirmou. Também participaram da reunião representantes da Águas Guariroba, Infraero e Energisa.