* Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 

A cada episódio revelado de corrupção e impunidade, a política brasileira vai se tornando mais volátil. Após o trauma  resultante do julgamento da chapa Dilma Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), vem a notícia de que Michel Temer mandou bisbilhotar a vida do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato e das delações dos donos da JBS. Ao largo, vêm as reações da presidente da suprema corte, ministra Carmem Lúcia e do ministro Gilmar Mendes, que jogam mais combustível na instabilidade. Isso sem falar das previstas delações de Antonio Palocci, de outros empresários e do o ex-assessor presidencial, Rocha Loures, hoje preso por causa da mala dos R$ 500 mil. Soma-se, ainda, a fisiológica queda de braços dentro PSDB sobre continuar ou abandonar o governo. O quadro leva à suposição da iminência de uma intervenção militar, mesmo com as repetidas negativas dessa possibilidade.

O momento crítico é inegável, com expressiva parte do Congresso sob suspeição, o presidente da República em alto grau de impopularidade, fustigado por denúncias e sob investigação, e a sociedade atônita com tanta noticia ruim. Michel Temer é obrigado, hoje, a empregar grande parte do seu tempo para se manter no poder e vê a possibilidade de periclitar seu principal e derradeiro capital político: a maioria parlamentar. Dificilmente os indicadores econômicos, que começaram a reagir positivamente no seu governo, continuarão em alta num clima de tanta instabilidade.

No passado, os militares promoveram a Anistia, onde perdoaram os atos extremos dos opositores em troca de terem igual perdão aos seus agentes que se excederam. Até hoje isso é alvo de contestações, até judiciais. A mesma solução seria inviável na atualidade, quando a sociedade está prenhe de informações sobre os malfeitos apurados no Mensalão, Lava Jato e outras investigações. Um novo “acordão” é algo impensável num momento em que o povo está excitado e a maior parte das lideranças é alvo de questionamentos.

Talvez esteja na França o repositório onde buscar a solução da crise brasileira. Ao longo da história, já importamos de lá muitos modelos sociais, políticos e libertários. Agora, aquele país tem uma nova lição. Depois da derrocada do governo de esquerda, o povo francês elegeu um presidente jovem e pertencente a um partido novo, fundado há apenas um ano, que no domingo, também fez a maioria das cadeiras do parlamento. Se a França pode, porque o Brasil não poderá começar tudo de novo? Com novos políticos, novos partidos e novas lideranças, em vez do caos que nos ameaça, poderemos ter o sonhado novo país, livre da corrupção e da desigualdade social.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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