sábado, 25 - abril - 2026 : 0:45

O baixo investimento na indústria, por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – Reprodução/Facebook

Há 50 anos – na década de 1970 – a produção industrial do Brasil era equivalente a 55% da dos Estados Unidos. Hoje gira em torno dos 20% e não consta que a norte americana tenha crescido exponencialmente. Para recuperar o desempenho perdido, nosso Pais precisa investir R$ 456 bilhões anuais na indústria de transformação, por um período de sete a dez anos. A conclusão é de estudo elaborado pela assessoria econômica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a maior entidade do setor, que congrega 30% do parque industrial brasileiro. São 130 mil fábricas de todos os portes e setores, agregadas por 131 sindicatos patronais.

Os investimentos brasileiros na indústria são, atualmente, equivalentes a 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto) e deveriam ser de 4,6%. O levantamento diz que o melhor aporte de recursos ocorreu em 2007 (21%). Em 2021 foram 12,9% e hoje – dizem os economistas –  o que se investe não é suficiente nem para recuperar a depreciação já consolidada.
Apreciem ou não, recorde-se que nos anos 70 vivíamos sob governo autoritário, muitos bens de consumo – veículos, por exemplo – não podiam ser importados e isso alavancava a  indústria local. A partir da posse do presidente Fernando Collor, o primeiro eleito diretamente depois do ciclo militar, (1990), os portos foram abertos e as manufatureiras aqui instaladas passaram a ter concorrentes. Em seguida veio o Plano Real, de Itamar Franco, continuado por FHC com sua politica neoliberal de privatizações que desestatizou a economia.

A ascensão do Partido dos Trabalhadores, de vocação estatizante e sindical, em 2003, foi outra grande mudança só alterada com o impeachment de Dilma Rousseff, que afastou o partido do poder, em 2016. Sob Michel Temer e Jair Bolsonaro, o País viveu mais à direita e novamente privatizante. Com a volta de Lula, tudo muda outra vez para o viés socialista.

Acima do que ser governado por direita, esquerda ou centro, parece-nos que o grande problema brasileiro está na falta de continuidade. Quando mudam os governantes, altera-se o quadro de prioridades, param os empreendimentos já começados e uma boa parte dos novos projetos nem sai do papel. Seria imprudência defender hoje as desonerações fiscais  e subsídios oferecidos no passado à nascente indústria. Mas é preciso buscar mecanismos que garantam a continuidade e perenização dos negócios em andamento. A população não pode continuar vivendo o sobressalto do desaquecimento da economia (que traz desemprego) na razão direta do que os eleitos levam dentro da cabeça. Mudanças sim, mas desmonte, não.

Quem investe no Pais é o capitalista e até o poupador, que carecem de um mínimo de segurança e garantia de rendimento. Sem isso, simplesmente não investem e vão colocar seu capital em outras partes do planeta onde não corre o risco sentido no Brasil e em outros países economicamente insalubres. E quem deve garantir essa segurança é o governo por sua estrutura econômica, o Congresso através de leis contemporâneas e o Judiciário por decisões justas e pertinentes. Sem isso, nada feito…

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

DEIXE UM COMENTÁRIO/RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Nosso site usa cookies e, portanto, coleta informações sobre sua visita para melhorar nosso site (por meio de análise), mostrar a você conteúdo de mídia social e anúncios relevantes. Consulte nossa página Política de Privacidade e Cookies para obter mais detalhes. Você também pode recusar clicando no botão.

Definição de Cookie

Abaixo você pode escolher quais tipos de cookies permitem neste site. Clique no botão "Salvar configurações de cookies" para aplicar sua escolha.

FuncionalNosso site usa cookies funcionais. Esses cookies são necessários para permitir que nosso site funcione.

AnalíticoNosso site usa cookies analíticos para permitir a análise de nosso site e a otimização para o propósito de otimizar a usabilidade.

Social mediaNosso site coloca cookies de mídia social para mostrar conteúdo de terceiros, como YouTube e FaceBook. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

AnúnciosNosso site pode utilizar cookies de publicidade para mostrar anúncios de terceiros com base em seus interesses. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

OutrosAlgum conteúdo publicado em nosso site pode incluir cookies de terceiros e de outros serviços de terceiros que não são analíticos, mídia social ou publicidade.