quarta-feira, 29 - abril - 2026 : 15:14

O acolhimento socioemocional no retorno presencial às aulas, por Mauricio Martins

Mauricio Martins é professor, especialista em produtos para educação e co-fundador da Vivadí – Divulgação

Aos poucos, as escolas abrem suas portas para que estudantes de todo o país retomem suas atividades em sala de aula. Contudo, se engana quem pensa que esse retorno representa por si só uma volta à normalidade. Certamente, crianças e jovens voltam bem diferentes de quando ali estiveram pela última vez, em meados de março de 2020. A grande mudança diz respeito aos aspectos socioemocionais.

Nesse período de pandemia, de isolamento e distanciamento social, diversas características que abrangem os chamados soft skills, competências socioemocionais que permitem ao indivíduo gerenciar emoções, solucionar problemas, manter relações sociais e tomar decisões responsáveis, não só deixaram de ser desenvolvidas nas crianças, como algumas até apresentarão, nesse retorno escolar, sinais de momentâneo retrocesso, o que vai exigir de professores e de coordenadores pedagógicos plena atenção para observar, identificar, acolher e trabalhar essas habilidades com seus alunos. E isso deve acontecer com estudantes de todas as idades. Afinal, ninguém passou indiferente por essa pandemia.

Nessa espécie de força-tarefa para a saúde mental de nossas crianças e jovens, alguns pontos devem ficar mais destacados. Nos mais jovens, características como a socialização e a autonomia podem apresentar sinais de alerta. Elas são trabalhadas plenamente no ambiente escolar e é na convivência com e entre crianças que esse tipo de habilidade é desenvolvido com vigor.

Nos jovens de etapas escolares mais avançadas, por sua vez, a ansiedade pode ser um dos itens mais observados. Vale destacar que, em tempos normais, ela já se apresentava preocupante, e na pandemia foi ainda mais intensificada. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) divulgado recentemente e que envolveu sete mil crianças e adolescentes de todo o país revelou que um em cada quatro ouvidos apresentou esse tipo de transtorno durante a crise sanitária com níveis clínicos, o que representa necessidade de auxílio médico. Agora, no retorno das aulas presenciais, esse tipo de transtorno pode se manifestar ainda mais intensamente, com jovens estudantes mais tensos e mais inseguros com relação ao futuro.

Isso, sem deixar de citar outro item trabalhado nos soft skills e que também foi afetado pela pandemia: a cultura de estudo. Sim, porque abruptamente, esses estudantes tiveram que se moldar a uma nova forma de aula e de construção de conhecimento. Enquanto as escolas permaneceram com as portas fechadas, por mais que as aulas fossem ministradas de maneira virtual, cada um organizava ou ao menos tentava a melhor estratégia de estudo. Agora, mais do que nunca, será preciso aprender a aprender, ajudando o aluno no processo de construção do estilo de estudo.

Como se percebe, o trabalho de escolas e educadores nesse retorno presencial às aulas é desafiador. O momento é de acolhimento, observação, diagnóstico e foco no socioemocional. Ele deve ser priorizado pelas instituições de ensino e tratado com profissionalismo. No universo educacional, há opções como a startup Vivadí, que fornece um programa completo de desenvolvimento dessas habilidades, criadas especialmente para cada fase da vida escolar: ensino Infantil, Fundamental e Médio. O programa oferece subsídios para que os colaboradores da escola consigam coletar dados e fazer diagnósticos por meio de observações individuais e também coletivas, que permitem uma fotografia do todo, com o registro de comportamentos gerais. As informações são organizadas, sistematizadas e devolvidas para a escola que, dependendo do cenário, recebe junto sugestões de intervenções.

A força-tarefa pela saúde mental das nossas crianças e jovens deve, assim, envolver educadores, coordenadores pedagógicos, diretores e quantos mais colaboradores puderem participar. O retorno presencial representa um enorme desafio depois de tanto tempo sem esse contato. Mas, deve também representar uma excelente oportunidade de prepara-los melhor, com mais segurança, equilíbrio e habilidades sociais e emocionais que reflitam numa comunidade com uma nova narrativa no pós-pandemia.

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