Decano do STF comentou o caso em nota enviada à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo neste sábado (7). Livro com desenho de beijo gay foi alvo de ação do prefeito Marcelo Crivella.

Ministro Celso de Mello comenta censura de Crivella – Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro do STF Celso de Mello classificou a censura a livros da Bienal do Rio como ‘fato gravíssimo’. O magistrado comentou o caso em nota enviada à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, na noite deste sábado (7).

Nas palavras de Celso de Mello, “sob o signo do retrocesso – cuja inspiração resulta das trevas que dominam o poder do estado–, um novo e sombrio tempo se anuncia: o tempo da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático”.

Ainda segundo o ministro, “mentes retrógradas e cultoras do obscurantismo e apologistas de uma sociedade distópica erigem-se, por ilegítima autoproclamação, à inaceitável condição de sumos sacerdotes da ética e dos padrões morais e culturais que pretendem impor, com o apoio de seus acólitos, aos cidadãos da república”.

Censura de livro LGBT

Na quinta-feira, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pediu para recolher exemplares do romance gráfico “Vingadores, a cruzada das crianças” (Salvat), que tem a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos. Os livros eram vendidos lacrados, e a capa não tem nenhuma imagem de conteúdo erótico.

A organização da Bienal reagiu e disse que não iria retirar os livros e que dá “voz a todos os públicos”. Na manhã de sexta-feira, todos os exemplares se esgotam em pouco mais de meia hora. À tarde, fiscais da prefeitura foram à Bienal para identificar e lacrar livros considerados “impróprios”. A fiscalização não encontrou conteúdo em ‘desacordo com a legislação.

Ainda na sexta, a Bienal recorreu à Justiça para garantir “pleno funcionamento do evento” e durante a noite uma liminar foi concedida impedindo a apreensão de livros no evento. A prefeitura recorreu e uma nova decisão do Tribunal de Justiça derrubou a decisão anterior.

Neste sábado, fiscais da prefeitura foram ao evento pelo 2º dia e novamente não encontram nada de irregular. Durante o dia, parte do público fez um ‘beijaço’ contra a ordem de Crivella para apreender livros.

Do G1