Após reunião com Bolsonaro, Onyx diz que Bebianno continua no cargo – Foto: © Marcos Corrêa/PR

Ministro está envolvido em polêmica sobre candidaturas laranjas

Após tensão com o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, será mantido no cargo, revelou nesta sexta-feira (15) o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto. A informação foi confirmada por fontes oficiais ouvidas pelo jornal “O Globo” após encontro entre os políticos, Bolsonaro e os ministros Augusto Heleno (Segurança Institucional), Santos Cruz (Secretaria de Governo), além da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

A decisão vem à público após Bebianno, que foi chamado publicamente de mentiroso pelo presidente e por seu filho Carlos Bolsonaro, garantir que não renunciaria ao cargo, embora estivesse sendo pressionado. Na ocasião, ele ainda afirmou que a iniciativa deveria partir de Bolsonaro. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência é acusado de ter autorizado o repasse de R$250 mil do fundo eleitoral para a candidatura de uma ex-assessora, que teria justificado o uso de parte da verba com notas fiscais de uma empresa de fachada. A denúncia foi revelada pelo jornal “Folha de S. Paulo” e também expõe que Bebianno teria autorizado o repasse de outros R$400 mil para uma suposta candidata laranja, a qual teve apenas 274 votos em Pernambuco. A polêmica envolve também o atual presidente do PSL, Luciano Bivar, recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados. Por conta disso, após os rumores sobre uma suposta demissão, Bebianno afirmou que já havia conversado com Bolsonaro por pelo menos três vezes. No entanto, Carlos desmentiu o ministro com uma mensagem no Twitter e o próprio presidente negou o diálogo em uma entrevista à TV Record. O caso gerou tensão e preocupações entre membros do governo e a base no Congresso, já que a crise acontece no momento em que o Planalto tenta manter uma certa coesão para negociar a aprovação da reforma da Previdência. Uma possível saída de Bebianno do cargo dificultaria o diálogo entre o Executivo e o Legislativo, atrapalhando a tramitação da proposta no Congresso. Alvo da crise ampliada pelo filho de Bolsonaro, Bebianno tem recebido apoio de ministros, militares do governo e até parlamentares. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, inclusive, defendeu a permanência de Bebianno no cargo e disse que tem a impressão de que o presidente utiliza o próprio filho para pedir a renúncia do ministro.

Ele ainda ressaltou que o governo corre um “risco muito grande” de transformar essa polêmica em crise. Por sua vez, o ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, tem garantido que a suspeita está sendo investigada e que “eventuais responsabilidades” serão definidas após a apuração.

Da AnsaFlash