Revenda de produtos e economia colaborativa podem ser alternativas

O Brasil passou por uma turbulência econômica nos últimos anos – sobretudo, a partir de 2014. Em 2017, esses índices econômicos começaram a ter uma tímida recuperação, principalmente com o crescimento de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) depois de dois anos de recessão. A taxa de desemprego, no entanto, ainda é alta. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupados entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018 foi de 12,6%, o que representava 13,1 milhões de brasileiros desempregados.

O momento econômico também foi aproveitado por algumas pessoas – seja por necessidade ou como visão de negócio – para ganhar uma renda extra. Foi o caso de Tatiane Agreste, 38, funcionária pública na Secretaria de Segurança de São Paulo. Ela ficou por algum tempo afastada do emprego por problemas de saúde e decidiu que era hora de complementar o que ganhava.

A mãe foi quem iniciou o processo, apresentando a marca Herreira, que vende semi joias no atacado e também fornece a possibilidade de revender os produtos. De lá para cá, já foram três anos. “Além de ser uma delícia ver coisas novas, é a maneira mais prazerosa de ganhar dinheiro”, diz a paulistana. Ela tem até um site e um Instagram como estratégia de marketing para divulgar os produtos e vendê-los quando as amigas não podem comparecer às reuniões durante a tarde.

Ao mesmo tempo em que a crise atingia o país, outros serviços chamados de economia colaborativa ou compartilhada ganhavam também maior projeção no país. O princípio é a partilha de um bem em detrimento da posse, colaborando para uma maior consciência coletiva dos impactos ambientais, do espaço urbano e do consumo. Aplicativos de transporte privado, como Uber e Cabify, bem como o popular serviço de hospedagem AirBNB, surfaram nessa onda.

Os serviços se transformaram em uma nova alternativa de renda para os brasileiros em meio à crise. Apesar disso, também entraram em diversas discussões sobre transparência, segurança e a forma de trabalho a qual os indivíduos estão submetidos. A cultura organizacional dessas empresas também ficou nos holofotes. O caso mais emblemático foi da Uber, com diversos vazamentos de informações e escândalos sexuais, o que fez o próprio CEO da empresa se afastar.

A tendência para este ano é que a economia tenha uma recuperação. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) prevê que 83% dos associados terão um aumento de vendas e encomendas, e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê a abertura de 20700 novos estabelecimentos comerciais em 2018.