
O centrista Rodrigo Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente da Bolívia no último domingo (19), encerrando duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS). A vitória ocorreu no primeiro segundo turno da história do país, e simboliza uma guinada política à direita após anos de governos liderados por Evo Morales e Luis Arce.
Rodrigo Paz, filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993), derrotou Jorge “Tuto” Quiroga, da aliança Liberdade e Democracia (Libre), com 54,53% dos votos, contra 45,5%, conforme dados preliminares divulgados pelo Sistema de Contagem Sirepre, do Tribunal Supremo Eleitoral. A apuração das urnas já alcançou 98,2%.
O novo presidente foi bem-sucedido em seis províncias bolivianas, enquanto Quiroga venceu em duas — Santa Cruz e Beni — e houve empate técnico em Tarija. O resultado foi impulsionado por apoio popular, articulações regionais e o desgaste do MAS, que vinha governando o país desde 2006.
Em sua primeira fala após o pleito, Paz agradeceu ao povo boliviano, enaltecendo o compromisso da população com a democracia em um momento crítico. A vitória ocorre em meio a uma severa crise econômica, com inflação superior a 23%, escassez de dólares e desabastecimento de itens básicos.
O plano de governo de Paz propõe descentralização econômica com redistribuição de receitas para regiões e municípios, empréstimos subsidiados, isenções fiscais para pequenas e médias empresas, além de estímulos ao setor privado. Ele promete manter programas sociais, mas com cortes nos gastos públicos.
No campo externo, Paz pretende reaproximar a Bolívia dos Estados Unidos e reforçar os vínculos com o Mercosul. A eleição foi celebrada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que considerou o resultado uma “oportunidade transformadora” para os dois países.
Entre os desafios imediatos estão a formação de uma base parlamentar sólida. Paz já buscou diálogo com a Aliança Unida, de Samuel Doria Medina, que declarou apoio após o primeiro turno. O segundo desafio é assegurar governabilidade nas ruas, diante de possíveis medidas impopulares, como aumento dos combustíveis e desvalorização do dólar.
Outro ponto de tensão é a relação com o vice-presidente eleito, Edmand Lara, conhecido como Capitão Lara. Ex-policial e figura controversa, ele já afirmou publicamente que poderia mandar prender o presidente caso houvesse corrupção, além de dizer que teria mais poder legislativo que o próprio chefe do Executivo.
Rodrigo Paz tomará posse oficialmente em 8 de novembro. Sua eleição representa uma inflexão na política boliviana, com promessas de liberalismo moderado e foco na estabilidade institucional, sob o lema “um pouco de dinheiro para todos”. O mundo agora observa atentamente os primeiros passos de seu governo.




















