Quanto dinheiro investiram os países no combate ao Covid-19?

A Comparamais compilou os dados relativos aos principais apoios criados nas várias regiões do globo para combater os efeitos econômicos do Covid-19. E são já muitos trilhões de reais que estão a ser canalizados para garantir ajuda às pessoas afetadas, garantir que as empresas não são obrigadas a fechar por causa da pandemia e evitar um crescimento descontrolado do desemprego

O Covid-19 tem sido um pesadelo para a saúde pública. Mas, pelas medidas restritivas que foram sendo introduzidas, como encerramento de empresas e proibição de viagens, os efeitos do coronavírus serão ainda mais prolongados a nível econômico. Isso tem obrigado os países a agir e canalizar muito dinheiro para ajudar as empresas e os cidadãos, com países a chegarem já aos trilhões de euros de investimento. A Comparamais descobriu estes valores e revela agora as estratégias que estão sendo usadas em diferentes regiões do globo.

Europa

Na Europa, os países têm conseguido obter apoio econômico por três vias. A primeira é através do financiamento nacional, retirando verbas dos seus orçamentos para combater a crise. Em Portugal, por exemplo, são já cerca de 13 bilhões de euros (82 bilhões de reais), divididos entre os gastos com material e reforço das equipes médicas, apoios a setores da economia e a trabalhadores desempregados ou obrigados a ficar em casa, e ainda outras medidas de apoio.

Além disso, a pertença à União Europeia tem sido um importante trunfo neste momento de dificuldade, já que o Orçamento Comunitário também reservou verbas para o combate ao Covid-19 nos vários Estados-Membros. Ao todo são 540 bilhões de euros (3,4 trilhões de reais) de ajudas, que se dividem entre 240 bilhões de ajudas diretas aos estados, 200 bilhões injetados na economia pelo Banco Europeu de Investimento e ainda 140 bilhões para diversos empréstimos. Além disso, o Banco Central Europeu, que gere o sistema bancário na Europa, reservou mais 750 bilhões de euros (4,7 trilhões de reais) para compra de dívida pública dos países que integram a União Europeia.

Como referido anteriormente, também os países europeus investiram diretamente nas suas economias. E, no caso das principais potências regionais, são montantes também bastante elevados. A Comparamais descobriu que o país do Velho Continente que gastará mais será a Alemanha, preparada para investir 750 bilhões de euros. Depois surgem a Itália, fortemente atingida pela pandemia, e o Reino Unido, que prepararam pacotes de ajudas no valor de 400 bilhões de euros (2,5 trilhões de reais), acima dos gastos de 345 bilhões (2,16 T) da França e dos 200 bilhões de euros (1,25 T) que a Espanha preparou em ajudas. Com todos estes valores, mais os apoios criados a nível da União Europeia, isso significa que a região irá superar os 3 trilhões de euros em apoios, algo apenas superado pelos gastos dos Estados Unidos.

Estados Unidos

Donald Trump pode continuar a minimizar o impacto do Covid-19 na saúde, mas a nível econômico não foi tão descuidado. Basta dizer que os Estados Unidos são o país do mundo que mais dinheiro reservou para combater os efeitos econômicos da pandemia. A Comparamais encontrou os valores divididos em dois grandes pacotes de apoio, num total de 3,9 trilhões de dólares, cerca de 22,5 trilhões de reais.

O Governo Federal investiu nos diversos estados americanos e nos serviços gerais um total de 1,9 trilhões de dólares. Este valor é dividido entre diversos setores, mas os montantes mais significativos destinam-se a ajudas diretas aos cidadãos (30%), às grandes empresas (25%), os pequenos negócios (19%) e para ajudar os governos e estados federais (17%). Além disso, a Reserva Federal se prepara para gastar mais 2 trilhões de euros, através da compra de dívida pública e injeção de capital na economia. Com a combinação de valores criados pelo Executivo liderado por Donald Trump e pela Reserva Federal, os Estados Unidos tornaram-se no país que mais investiu para combater os efeitos econômicos na economia.

Ásia

A Comparamais foi também descobrir os montantes que as duas principais potências econômicas asiáticas prepararam para combater os efeitos do Covid-19. Tanto a China, onde surgiu a pandemia, como o Japão prepararam pacotes de apoio com cerca de 1 trilhão de euros, cerca de 6,2 trilhões de reais. Mas este investimento efetua-se de forma diferente. Os nipônicos deram primazia aos investimentos diretos do Estado, enquanto no seu rival regional foi o Bank of China que ficou com a ‘fatia de leão’ dos gastos. Mas também nesta região se pode verificar que os gastos com a pandemia são já bastante significativos.

Este dinheiro será suficiente?

Esta questão é a grande incógnita neste momento, explica a ComparaMais. E apresenta as duas principais razões para tal. A primeira tem a ver com o desenvolvimento da pandemia. Por exemplo, na China começa a surgir a preocupação com casos agora importados de outras nações, enquanto na Europa começou o desconfinamento mas existe um medo generalizado com a possibilidade de uma segunda vaga de Covid, que obrigue a encerrar novamente as economias. E no continente americano está agora a sentir-se com mais intensidade a pandemia, o que significa que pode ser necessário dotar mais verbas para fazer frente aos gastos com saúde e aos constrangimentos nas atividades quotidianas.

Mas existe outra questão igualmente incerta. A que velocidade vão os países recuperar economicamente dos efeitos do confinamento e encerramento de empresas? Por exemplo, a França e Itália, que recebem trilhões de euros anualmente com o Turismo, devem manter as fronteiras encerradas durante os próximos meses, perdendo estas importantes verbas. Outros setores, como restaurantes e bares, estão arrancando “a meio-gás” em Portugal, pelo que também devem continuar a sentir dificuldades durante os próximos tempos. Ou seja, é expectável que alguns países recuperem mais rapidamente que outros, obrigando alguns a investir mais para recuperar do impacto da pandemia.

Como tal, conclui a Comparamais, tudo está ainda muito dependente da evolução do próprio Covid-19 (ou do surgimento de uma vacina eficaz). Caso a doença se torne apenas residual, haverá capacidade para ter as economias a trabalhar sem constrangimentos a curto-prazo. Mas, se continuar a existir o medo de uma infeção generalizada da população, e por isso seja necessário manter medidas de confinamento e afastamento social, os países podem se preparar para gastar ainda mais dinheiro por causa do Covid-19.