Leilões sul-coreanos vendem carros usados danificados por tufão

Veículos que ficaram submersos nas águas são negociados para países do sudeste asiático, segundo TV sul-coreana

Carros danificados são negociados por meio do site de uma empresa sul-coreana de seguros com membros registrados – Divulgação

Negociantes estão vendendo carros danificados pelo tufão Chaba, que atingiu a península coreana em novembro de 2015, de acordo com uma reportagem da TV sul-coreana MBC. Automóveis que ficam submersos normalmente viram sucata por razões de segurança, mas estão sendo vendidos inteiros para outros negociantes da Ásia.

“Eles pegam os carros quando vencem os pregões que participam”, disse um empregado de uma empresa de seguros da cidade de Ulsan, uma das mais afetadas pelo tufão, à MBC. “Eles compram os carros em massa e depois revendem com os danos reparados”, completou.

Os carros danificados são negociados por meio do site de uma empresa sul-coreana de seguros com membros registrados. A maioria deles são negociantes especializados no ramo – que tem como “player” principal no mercado as prefeituras do Japão. Ainda em entrevista à TV sul-coreana, um negociante admitiu que, quando o carro é limpo e passa por consertos mecânicos, fica impossível descobrir que ele esteve submerso no passado. “Eles são uma boa forma de ganhar dinheiro”, revelou.

Os carros geralmente demoram duas ou três semanas para ficar prontos antes de ser vendidos em mercados de veículos usados, onde os preços praticados são pelo menos o dobro do que foi pago pelos negociantes. Na Coreia do Sul, os carros que passaram por situações como essa são considerados perigosos porque a maior parte das peças são eletrônicas: o mal-funcionamento delas pode gerar corrosão, que, por sua vez, leva o carro a um incêndio.

O Korean Insurance Development Institute, uma espécie de associação das seguradoras do país, afirmou ao jornal The Korea Times que mantém uma lista de veículos que deram entrada no serviço, assim como as condições, em seu site. O processo de atualização dos carros, no entanto, pode levar até três meses.

Em 2011, o jornal britânico The Telegraph publicou uma reportagem mostrando que alguns negociantes japoneses estavam vendendo carros que haviam sido expostos à radiação da usina nuclear de Dai-Ichi, em Fukushima, que foi parcialmente destruída pelas tsunamis que atingiram o país. Eles eram exportados para países como a Rússia e o sudeste asiático e não passavam por testes de radiação quanto chegavam aos destinos.

Sucata

No Brasil, o mercado de sucata é mais regulado pelo Estado: no começo de maio, por exemplo, o Detran do Rio Grande do Sul colocou à venda por meio de um leilão mais de dois mil itens, a maioria peças de frotas utilizadas pela Polícia Militar. Para participar, os negociantes precisam apresentar documentações de pessoas físicas ou jurídicas e, para arrematar um lote, ter RG, CPF e comprovante de residência, se pessoa física; contrato social ou cópia autenticada, CNPJ, RG e CPF do representante, se pessoa jurídica.

Além disso, a compra de sucatas só pode ser realizada por empresas que atuem como desmanches de veículos, venda de peças usadas e reciclagem de sucatas registradas.

Segundo o Detran da Bahia, que também promove leilões do mesmo tipo, 60% dos itens vendidos são veículos. O restante é sucata: é possível encontrar itens de todos os tipos, com danos ou não. No caso dos veículos, os problemas geralmente envolvem a parte elétrica.