JBS ameaça abandonar negócio de R$ 500 milhões que criaria 600 empregos em Campo Grande

Obra, um complexo farmacêutico que reúne 12 empresas, seria entregue no primeiro semestre de 2018 - Divulgação/JBS
Obra, um complexo farmacêutico que reúne 12 empresas, seria entregue no primeiro semestre de 2018 – Divulgação/JBS

Depois de anunciar a paralisação de abates de bois em 7 frigoríficos de Mato Grosso do Sul, a JBS estuda repetir a alegação de cenário de “insegurança jurídica”, para abandonar projeto de R$ 500 milhões em Campo Grande, cuja obra está adiantada. A possível decisão é o contra-ataque do grupo no “cabo de guerra” que tem, na outra ponta, a ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). As informações são do portal Campo Grande News.

O empreendimento, que prevê criação 600 empregos diretos, corresponde a dois projetos do grupo, denominados Orygina e JBS Feed Solutions. Trata-se de complexo farmacêutico que reúne 12 empresas.

Com metade da obra concluída, em uma área de 280 mil m² na saída para Sidrolândia, o empreendimento seria entregue no primeiro semestre de 2018. O grupo estaria preparando um “mega lançamento”.

Como os projetos são de alta tecnologia, iriam empregar mão de obra qualificada. Dos 600 empregos previstos, 480 seriam para profissionais com nível superior.

A plataforma iria produzir princípios ativos farmacêuticos a partir de subprodutos derivados da cadeia de proteína animal. De acordo com a JBS, Mato Grosso do Sul foi escolhido por ter participação de cerca de 40% da produção nacional da empresa.

Agora, como resposta ao bloqueio de R$ 730 milhões, determinado pela Justiça na semana passada, o grupo deve transferir o negócio a outro estado, ainda não informado. A alegação é que a decisão judicial causa insegurança jurídica.

Projetos – “A Orygina é uma plataforma de produção de princípios ativos farmacológicos, derivados da cadeia de produção de proteína animal”, informa texto da JBS sobre o projeto. “Já a JBS Feed Solutions será uma plataforma de ingredientes para nutrição animal com alto valor agregado fabricados a partir de subprodutos resultantes da produção de proteínas”, acrescenta.

Conforme a empresa, os subprodutos – sangue, ossos, pulmão, vísceras, plasma, feto, etc. – representam 2,8 milhões de toneladas por ano da produção nacional da empresa. “A título de comparação, o País produz por ano 3,2 milhões de toneladas de feijão e 4,3 milhões de toneladas por ano de trigo”, ilustra.

O volume de subprodutos é significativo, porque representa parcela acentuada da produção da indústria de proteína animal, segundo informa a JBS. Dos bovinos abatidos, 38% correspondem a subprodutos; das aves, são 35%; e dos suínos, 25%.

Com esse material, é possível produzir, pelo menos, 50 itens com atividades farmacológicas, como heparina sódica, fio cirúrgico bruto, nadroparin e sulfato de condroitina.

Bloqueio – A decisão da Justiça de bloquear R$ 730 milhões da JBS atende pedido da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito da ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), que investiga os negócios da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Nessa “queda de braço”, a empresa também paralisa, nesta quarta-feira (18), as atividades das sete unidades de Mato Grosso do Sul.

Os 15 mil funcionários dos frigoríficos no Estado vão receber seus “salários normalmente até que a Companhia tenha uma definição sobre o tema”, conforme nota divulgada pela empresa. A paralisação é por tempo indeterminado.

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