
A epidemia de chikungunya em Dourados segue avançando em ritmo acelerado e já provoca forte impacto na rede de saúde do município. Dados atualizados nesta terça-feira (21) pela Secretaria Municipal de Saúde revelam um cenário de ampla circulação do vírus e aumento expressivo na procura por atendimento médico.
De acordo com o boletim, a cidade acumula 6.343 notificações da doença. Desse total, 2.163 casos foram confirmados, enquanto outros 2.819 ainda estão sob investigação. O número de casos prováveis chega a 4.982, ao passo que 1.361 registros já foram descartados pelas autoridades sanitárias.
Um dos indicadores mais preocupantes é a taxa de positividade, que atingiu 61,4%. O índice elevado reforça o grau de disseminação da chikungunya no município, apontando para uma transmissão ativa e intensa entre a população.
A pressão sobre os serviços de saúde é visível no dia a dia das unidades. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) vem registrando média de 454 atendimentos diários nas últimas duas semanas, número significativamente superior à média habitual de cerca de 300 atendimentos antes do avanço da epidemia.
Além da alta demanda por atendimentos, a situação hospitalar também inspira preocupação. Atualmente, 42 pacientes estão internados com suspeita ou confirmação da doença, o que contribui para a sobrecarga das estruturas de internação e dos profissionais de saúde.
O cenário se agrava ainda mais com o registro de mortes. O município já confirmou oito óbitos causados pela chikungunya, sendo sete entre indígenas e um na área urbana. Há ainda uma morte em investigação, envolvendo um paciente idoso com comorbidades.
O relatório da Secretaria também destaca o aumento significativo da procura por atendimento nas unidades básicas de saúde, especialmente nas regiões urbanas, onde se observa maior concentração recente de casos da doença.
Diante da gravidade da situação, o prefeito Marçal Filho publicou o Decreto nº 638, de 20 de abril de 2026, declarando estado de calamidade pública em saúde. A medida reconhece o colapso da rede assistencial e permite a adoção de ações emergenciais para conter o avanço da epidemia e ampliar a capacidade de resposta do município.




















