Fechamento de postos mais cedo é retrocesso, diz Marçal

Posto da Seleta é uma das unidades que fechará mais cedo – Divulgação

O comunicado de última hora da prefeitura de Dourados de que os três maiores postos de saúde de Dourados só vão atender das 7h às 13h pegou de surpresa a população. O vereador Marçal Filho (PSDB), um dos maiores defensores da saúde pública, critica a decisão e classifica como “verdadeiro retrocesso”.

O anúncio da redução do atendimento das unidades de saúde do Jardim Santo André, Vila Rosa e Seleta (jardim Flórida) só foi realizado na segunda-feira, um dia antes dos postos anteciparem o fechamento. Segundo a Prefeitura, essa mudança ocorreu para impedir eventual “improbidade administrativa” por parte da prefeita Délia Razuk.

Os servidores dos três postos não teriam sido contemplados com o incentivo de 33% pago aos profissionais que integram a Estratégia da Saúde da Família. Para não ter que trabalhar sem receber, os servidores das unidades decidiram cumprir apenas as 30 horas de trabalho semanais, como prevê o PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) da categoria.

O fechamento mais cedo dos postos vai impactar ainda mais na superlotação da UPA, única unidade 24 horas que atende a população de 218 mil habitantes de Dourados. “Se a saúde já estava cheia de problemas, imagina agora”, questiona o vereador.

Marçal Filho é um dos mais defensores no que se refere ao atendimento de qualidade. Desde que assumiu a uma vaga na Câmara Municipal, em janeiro do ano passado, passou a fiscalizar e a cobrar melhorias, principalmente nos postos de saúde.

Nos últimos meses os maiores problemas têm sido a ausência de médicos nos postos, além de materiais de trabalho e de remédios. A Seleta, responsável por atender a região oeste, no grande Flórida, Novo Horizonte e inúmeros bairros vizinhos, já havia sofrido baixa no mês passado.

Médicos das áreas da ginecologia e da pediatria deixaram de atender, causando revolta nos moradores. Os profissionais eram fundamentais para receber um grande público, desafogando a lista de espera com as especialidades, que só aumenta.

Para Marçal Filho, esvaziar os postos de saúde é um retrocesso, pois quando a base deixa de atender, as unidades de média e alta complexidade, como a UPA e hospitais, superlotam, causando inúmeras consequências, como o encarecimento da saúde pública.

“Os postos foram criados para ser a principal porta de entrada e centro de comunicação com toda a rede de atenção à saúde. Foram instalados perto de onde as pessoas moram para desempenhar um papel na garantia de acesso à população a uma atenção à saúde de qualidade. Mas em Dourados tem acontecido o contrário, os pacientes são empurrados à UPA, hospitais”, criticou o vereador.

Ter acesso à saúde é um direito constitucional e segundo o parlamentar, a área não pode ser vítima de desmonte. “Temos que cobrar, reivindicar. Não podemos assistir a tudo isso”, disparou Marçal Filho, que pede união da sociedade na exigência dos direitos. Ele lembra que, na campanha para prefeito municipal, não faltavam propostas para ampliar horário de atendimento de postos. E agora a situação tem sido toda inversa.