sexta-feira, 01 - maio - 2026 : 13:13

Escalada do dólar e taxa de juros preocupam setor produtivo, alerta CNI 

Moeda americana nas alturas e Selic elevada vão na contramão do desenvolvimento, contribuindo decisivamente para a perda do poder aquisitivo da sociedade

O dólar está em patamar recorde, preocupando o setor produtivo – Divulgação

O dólar em patamar recorde e os juros cada vez mais altos de forma injustificada são componentes que preocupam a indústria e podem colocar em risco o desenvolvimento econômico do país, diante de um cenário de perspectivas positivas conduzidas pela aprovação da reforma tributária, pelo avanço do acordo Mercosul-União Europeia e os investimentos do programa Nova Indústria Brasil (NIB).

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta que, embora possa beneficiar a competitividade das empresas brasileiras por um lado, em especial as exportações, a desvalorização do real frente ao dólar impõe efeitos negativos sobre o setor produtivo. A indústria de transformação, por exemplo, importa 23,7% dos insumos usados no processo de produção, somando-se a indexação relativa dos preços das commodities. Com o dólar mais alto, sobem também os custos para essas empresas, o que pode encarecer os produtos aos consumidores finais.

“A nossa moeda perde valor em compasso com a piora das expectativas do mercado financeiro, que contrariam dados reais da performance da economia e do controle da dívida pública. É momento de buscar maior convergência e coordenação entre os atores para enfrentar esse cenário de instabilidade, que beneficia a poucos enquanto prejudica o setor produtivo e o desenvolvimento da nossa sociedade, principalmente com a real perda de poder aquisitivo”, enfatiza o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A alta do dólar somada à crescente taxa de juros pode comprometer ainda mais a atividade produtiva, com possibilidade de resultados inversos na política de controle da inflação no curto e médio prazos. A CNI alerta que existem elementos importantes a considerar para as expectativas futuras. Entre eles, o esperado crescimento da safra deverá contribuir decisivamente nos preços dos alimentos; os preços de petróleo, que apresentam certa estabilidade; o crescimento da massa salarial, que não deve manter o ritmo com a indisponibilidade de injeção de recursos, como ocorreu no biênio 2022/23.

“O tão desejado equilíbrio e responsabilidade fiscal são indiscutíveis e devem ser perseguidos como política de Estado, não apenas de Governos. O pacote fiscal anunciado pelo governo prevê cortes efetivos de gastos públicos, ainda que não se mostrem suficientes. Mas, definitivamente é o passo na direção. Cabe a todos os poderes trabalharem pela racionalidade dos gastos públicos, com apoio da sociedade”, avalia Alban.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros para 12,25% na reunião de dezembro ignorou elementos importantes, tanto no cenário interno quanto externo: desaceleração da atividade econômica, já observada no PIB do terceiro trimestre, além de tendência de redução de juros nas principais economias globais.

“O que o anúncio inédito de que teríamos mais dois aumentos consecutivos de mais 1% na taxa Selic traz de melhoria e contribuição para as expectativas atuais, que já sofrem tantos movimentos especulativos?”, questiona o presidente da CNI. Segundo ele, os juros efetivos e o spread praticados no Brasil já são altíssimos, contribuindo para encarecer os custos das cadeias produtivas, já pressionados pelo câmbio.

Questão fiscal traz preocupação, mas não há motivos para alarde

Para a CNI, a questão fiscal é plural e traz preocupação, mas o déficit de 2024, estimado atualmente em 0,18% do Produto Interno Bruto (PIB) para fins de avaliação da meta fiscal, não é motivo para alarde, uma vez que deve ficar dentro da banda inferior de tolerância para o resultado primário.

Já em 2025, as contas públicas devem registrar prejuízo de R$ 42 bilhões – descontados os pagamentos dos precatórios –, o equivalente a 0,4% do PIB. Ainda que a projeção aponte para um déficit fora da banda de tolerância de 0,25% do PIB, a CNI entende que o cumprimento da meta é exequível, dependendo de um contingenciamento totalmente viável do orçamento.

Além disso, as medidas de redução de despesas propostas pelo governo, estimadas em R$ 70 bilhões para os próximos dois anos, contribuem para a sustentabilidade do novo arcabouço e melhoram a sintonia entre as políticas fiscal e monetária. Essas iniciativas representam pé no freio do impulso fiscal sobre a atividade econômica, movimento que já vem ocorrendo em 2024, sobretudo a partir do segundo semestre, e deve continuar em 2025, favorecendo o controle da inflação.

O ajuste sugerido pelo governo é positivo, embora ainda possa ser aperfeiçoado pelo Congresso, e tende a ser efetivo na contenção das despesas. Logo, a CNI entende que a reação ao pacote, com desvalorização da taxa de câmbio e alta nos juros futuros, é exagerada e deve ser interpretada com cautela.

Cabe destacar que a repercussão negativa do pacote se deve ao anúncio da isenção de imposto de renda de quem tem rendimento mensal de até R$ 5 mil. Mas, como a reforma da renda a ser enviada ao Congresso será neutra do ponto de vista fiscal, essa reação será revertida, o que faz com que qualquer tomada de decisão de política monetária a partir da reação seja precipitada e equivocada.

DEIXE UM COMENTÁRIO/RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Nosso site usa cookies e, portanto, coleta informações sobre sua visita para melhorar nosso site (por meio de análise), mostrar a você conteúdo de mídia social e anúncios relevantes. Consulte nossa página Política de Privacidade e Cookies para obter mais detalhes. Você também pode recusar clicando no botão.

Definição de Cookie

Abaixo você pode escolher quais tipos de cookies permitem neste site. Clique no botão "Salvar configurações de cookies" para aplicar sua escolha.

FuncionalNosso site usa cookies funcionais. Esses cookies são necessários para permitir que nosso site funcione.

AnalíticoNosso site usa cookies analíticos para permitir a análise de nosso site e a otimização para o propósito de otimizar a usabilidade.

Social mediaNosso site coloca cookies de mídia social para mostrar conteúdo de terceiros, como YouTube e FaceBook. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

AnúnciosNosso site pode utilizar cookies de publicidade para mostrar anúncios de terceiros com base em seus interesses. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

OutrosAlgum conteúdo publicado em nosso site pode incluir cookies de terceiros e de outros serviços de terceiros que não são analíticos, mídia social ou publicidade.