Contratados pela Missão Caiuás, cerca de 9 mil profissionais na área de saúde indígena prestavam serviços em pelo menos 10 estados diferentes – Divulgação

Os mais recentes números divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) tiveram ampla repercussão, inclusive em meios de comunicação de abrangência nacional, o que acabou por transmitir uma imagem negativa em relação a oferta de empregos em Dourados, ainda que os desligamentos em número massivo no balanço tenham relação com a realidade de outros Estados, sendo uma parcela referente a Mato Grosso do Sul.

Isso acontece pelo fato de a instituição que administra essas contratações/desligamentos ter sede em Dourados. Conforme a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Rose Ane Vieira, a Missão Evangélica Caiuás, que trabalha com a saúde indígena, é a responsável por esses encaminhamentos.

“A Missão Caiuás foi vencedora de processo licitatório para contratação de profissionais na área de saúde para o Serviço de Saúde Indígena (SESAi) em nível nacional. Ou seja, foi responsável pela contratação de 9.500 empregados, distribuídos em vários Estados do Brasil, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Acre, Tocantins, Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, justifica a secretária.

Ela explica que foram demitidos 5.000 desses trabalhadores e, até o dia 31 de agosto, foram recolocados nos postos de serviços, só no Estado de Minas, aproximadamente 4.500 trabalhadores, a partir de 02 de setembro de 2018; e em São Paulo, 500 trabalhadores no mesmo período. Os demais trabalhadores demitidos em 31 de dezembro de 2018. Em Mato Grosso do Sul foram aproximadamente 765; demitidos e recolocados a partir de 02 de janeiro de 2019. 

Os dados do Caged apontam que em dezembro de 2018 foram 6.753 desligamentos contra 1.293 admissões, o que ocasionou “saldo” que acaba tendo como referência Dourados.

“Como a Missão Caiuás está situada no município de Dourados, tem o CNPJ daqui, esses trabalhadores eram registrados aqui, no entanto a instituição nos informou que apenas 50 prestavam serviço no município”, esclarece Rose Ane, ressaltando que não foram dadas entradas no seguro desemprego via instituições de Dourados “porque a entidade demitiu e, ato contínuo, recolocou os trabalhadores, com exceção aos 765 profissionais de MS”.

Clevison Daniel Dutra, advogado da Missão Caiuás, ressalta que as contratações/demissões são de técnicos de enfermagem, enfermeiros, dentistas, entre outros profissionais da área da saúde.

De acordo com ele, o número massivo é comum em período de transição no governo federal. A maioria das pessoas desligadas, ainda segundo o advogado, já foi contratada novamente, sendo que 40% desse trâmite ficaram a cargo da Missão e 60% a cargo de outras empresas/instituições.