Copom reduz Taxa Selic a 2,25% ao ano; percentual é o menor da série histórica

Veredito unânime do Copom leva a Selic ao menor patamar da história na tentativa de limitar os efeitos do novo coronavírus na economia

Pela oitava vez Banco Central reduz taxa básica de juros – Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O BC (Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (6) pela oitava redução consecutiva da taxa básica de juros da economia brasileira. Por unanimidade, os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) optaram por cortar a Selic novamente em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano. Trata-se do menor patamar da história. As informações são do R7.

A redução dos juros básicos foi novamente influenciada pelo efeito da pandemia do novo coronavírus e tem o objetivo de estimular a economia nacional. Isso acontece porque o crédito mais barato tende a incentivar a produtividade e impulsionar o consumo das famílias.

“A pandemia da covid-19 continua provocando uma desaceleração pronunciada do crescimento global. Nesse contexto, apesar da provisão significativa de estímulos fiscal e monetário pelas principais economias e de alguma moderação na volatilidade dos ativos financeiros, o ambiente para as economias emergentes segue desafiador”, avaliou o Copom ao anunciar a decisão.

De acordo com os representantes do BC, a incerteza a respeito da recuperação da economia ao longo do segundo semestre “permanece acima da usual” com indicadores recentes, que apontam para uma contração da atividade econômica ainda maior no segundo trimestre.

O novo corte da Selic atende às expectativas do mercado financeiro, que apostava justamente em uma nova baixa de 0,75% nos juros básicos. De acordo com os analistas ouvidos semanalmente pelo BC, a taxa básica deve permanecer no patamar atual pelo menos até o final do ano. Para 2021, a aposta é de que a Selic retome o patamar de 3,5% ao ano.

Para as próximas reuniões, o Copom afirma que é “apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda” antes de decidir a respeito de novos cortes de juros. “O Comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos”, pontua o órgão.

Votaram a favor do corte o presidente do BC, Roberto Oliveira Campos Neto, e os diretores Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Selic

Conhecida como taxa básica, a Selic representa os juros mais baixos a serem cobrados na economia e funciona como forma de piso para as demais taxas cobradas no mercado financeiro.

Em linhas gerais, a taxa básica de juros é aquela que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.

A taxa básica também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.

Sempre que o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.

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