Com ampliação, Terminal Ferroviário de Chapadão do Sul tem capacidade para transportar 10% da safra de MS

O terminal foi ampliado e triplicou sua capacidade de embarque de grãos: de 600 mil toneladas para 2 milhões/ton/ano – Foto: João Prestes

A partir do próximo ano, todos os dias, dois trens com 80 vagões cada carregados de grãos deixarão o Terminal Ferroviário de Chapadão do Sul com destino ao Porto de Santos (SP). Ao fim de um ano terão sido transportados pelos trilhos da Ferronorte dois milhões de toneladas de grãos, o equivalente a 10% da supersafra registrada em Mato Grosso do Sul no ano passado (cerca de 20 milhões de toneladas de milho e soja).

O terminal foi ampliado e triplicou sua capacidade de embarque de grãos: de 600 mil toneladas transportadas no período de fevereiro (quando foi reativado) até dezembro do ano passado, para 2 milhões/ton/ano. Para se ter uma ideia, seriam necessários 35 mil caminhões para levar todo esse volume.

O ato de inauguração das obras trouxe a Chapadão do Sul o presidente da Rumo Logística (a concessionária que administra a Ferronorte), Julio Fontana Neto, bem como o diretor geral da ECPT (Engelhart Commodities Trading Partners), Oseias Oliveira, entre outros diretores das duas empresas parceiras no projeto. O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, representou o Governo do Estado no evento.

“Mato Grosso do Sul tem buscado alternativas logísticas e a ferrovia é fundamental. Esse terminal em Chapadão do Sul é um modelo que queremos apostar em outras ferrovias do Estado, de forma que a gente consiga melhorar a logística, dar mais competitividade e reduzir custos dos transportes”, disse o secretário.

Julio Fontana contou que o apoio do Governo do Estado foi fundamental para a reativação e agora a ampliação do terminal. “Inauguramos um terminal de primeiro mundo, com tecnologia de ponta. Isso só foi possível com apoio do Governo do Estado, aqui muito bem representado pelo secretário Jaime Verruck. Só assim conseguimos esse feito”.

O presidente da Federação das Associações Comerciais e Industriais de Mato Grosso do Sul (Faems), Alfredo Zamlutti – que no ato representou toda classe empresarial por meio de suas entidades – disse que a Rumo e a ECTP dão exemplo ao apostar no trem. “Infelizmente, há 60 anos resolveram não apostar no trem e o resultado nós vimos há 60 dias”, disse, referindo-se ao movimento paredista dos caminhoneiros que trouxe severos prejuízos à economia nacional.

Investimento

A parceria entre a Rumo e a ECPT (multinacional brasileira que comercializa commodities para o mundo todo) possibilitou o investimento de R$ 27 milhões na ampliação do Terminal de Chapadão do Sul. Além da reforma estrutural que garantiu a retomada das operações no ano passado, foram instalados, agora, um novo tombador e duas novas tulhas que aumentam a capacidade de armazenamento de grãos de 9 para 39 toneladas e possibilita o carregamento de três vagões a cada dez minutos (o triplo da capacidade anterior).

Na interpretação de Jaime Verruck, o investimento na Ferronorte tem um significado histórico para a logística de Mato Grosso do Sul, já que até a pouco tempo os trens só cruzavam por Mato Grosso do Sul vindos de Rondonópolis (MT). Agora o Estado também passa a embarcar grãos. Ele antevê para um futuro próximo um projeto muito mais amplo, que interligue a malha ferroviária nacional com as ferrovias boliviana e chilena, possibilitando a tão sonhada saída para o Pacífico. Isso importa na reforma completa (com mudança de bitola) da ferrovia que liga Bauru (SP) a Corumbá (MS), também sob administração da Rumo Logística.

“Nossa produção agrícola tem crescido muito nos últimos anos, graças aos investimentos em pesquisas e tecnologias, aos incentivos para recuperar áreas degradadas. Os empresários fazem sua parte, mas o Estado precisa investir em logística para melhorar o nível de eficiência e garantir o escoamento da safra.” A saída para o Pacífico equivale a uma economia de até sete mil quilômetros na viagem de navio com destino aos principais mercados asiáticos, principalmente a China.

Além de Chapadão do Sul, a Ferronorte tem terminais em Rondonópolis, Alto Araguaia e Itiquira, em Mato Grosso, e um terminal para embarque de celulose em Aparecida do Taboado (MS).

Participaram do evento, além das pessoas citadas: o secretário-adjunto da Semagro, Ricardo Senna; o deputado estadual, Paulo Corrêa; o prefeito de Chapadão do Sul, João Carlos Krug; o prefeito de Alcinópolis, Dalmi Crisóstomos da Silva; além de vices-prefeitos, vereadores, representantes de entidades de classe e produtores rurais da região.