terça-feira, 21 - abril - 2026 : 11:42

CERNA e CEPEGRE publicam Nota Técnica que relaciona COVID-19 e fatores raciais

Pesquisadores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), por meio do Centro de Recursos Naturais (CERNA) e do Centro de Pesquisa em Estudos de Estudo, Pesquisa e Extensão em Gênero, Raça e Etnia (CEPEGRE) publicaram  Nota Técnica Conjunta  na qual é analisada a correlação entre a COVID-19 (doença causada pelo vírus Sars-Cov-2) e o fator racial da população infectada no Estado de Mato Grosso do Sul. A base de dados analisada foram os Boletins Epidemiológicos emitidos pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/MS) desde a confirmação do primeiro caso da doença, em março de 2020.

Trabalho conclui que há maior letalidade por COVID-19 entre pardos no MS – Divulgação

Intitulada “Letalidade de pessoas pardas pela Covid-19 em Mato Grosso do Sul é maior que a média da população”, a Nota Técnica conjunta CERNA-CEPEGRE foi publicada nesta quarta-feira (7), sendo assinada pelos profs. Drs. Luis Humberto da Cunha Andrade, Junior Reis Silva, Sandro Marcio Lima (integrantes do CERNA); as profas. Dras. Beatriz dos Santos Landa e Cintia dos Santos Diallo e o técnico Jean William de Souza (integrantes do CEPEGRE).

O documento emitido pelos pesquisadores da UEMS inicia as considerações citando alerta feito em outubro de 2020 por pesquisadores do King’s College e da University College, de Londres, de que pessoas de grupos étnicos minoritários seriam, desproporcionalmente, afetados pela COVID-19. Outro parâmetro considerado foram os dados emitidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), juntamente com relatório da ONG Instituto Polis, de São Paulo. O levantamento da referida ONG mostrou que homens negros são os que mais morrem devido à COVID-19: do início da pandemia no Brasil até o mês de março de 2021, foram registrados 250 óbitos de negros pela doença a cada 100 mil habitantes, enquanto entre os brancos foram 157 mortes a cada 100 mil. O IBGE, por sua vez, concluiu que, no Brasil, a cada dez pessoas que relatam mais de um sintoma da COVID-19, sete são pretas ou pardas.

Nesse sentido, a Nota Técnica Conjunta elaborada pelo CERNA e CEPEGRE da UEMS, buscou analisar a letalidade pela COVID-19 registrada no Estado de Mato Grosso do Sul desde a confirmação do primeiro caso da doença, em março de 2020. Os dados usados são os publicados no Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde do MS em 31 de março de 2021. Como já mencionado na  Nota Técnica CERNA/UEMS 003/2021,  a letalidade é um parâmetro que, embora seja influenciado pela presente subnotificação de casos e óbitos, ainda é o mais adequado para os gestores acompanharem o avanço da pandemia e para se guiarem nas tomadas de decisões, principalmente quando é necessário organizar a população em grupos para o processo de imunização.

A partir das análises dos Boletins emitidos pela SES/MS é possível avaliar os dados de letalidade por COVID-19 no Mato Grosso do Sul, considerando os 215.598 casos confirmados no Estado no final do mês de março de 2021. Após considerar os dados quantitativos fica evidenciado “que estes demonstram, sem qualquer margem de dúvida, que as pessoas pardas foram as que mais perderam suas vidas. Enquanto a letalidade média por COVID-19 no MS foi de 1,98%, para as pessoas pardas que contraíram a doença foi de 2,53%, ligeiramente acima do índice brasileiro registrado até o final de março (2,52%)”, relata Sandro Marcio Lima, docente e coordenador do CERNA/UEMS. De acordo com Sandro, a letalidade para pardos é de 137,5% maior que a média da população branca no Estado, e a letalidade das pessoas pretas está muito  próxima  da  média em nosso Estado.

“Além da desigualdade social e econômica em que vive a população negra e periférica, o que pode causar esta maior  letalidade é a condição de saúde muito mais precária,  apontam alguns estudos”, destaca a coordenadora do CEPEGRE/UEMS, profa. Dra. Beatriz dos Santos Landa. A docente ainda acrescenta que as doenças crônicas, como colesterol alto, hipertensão e diabetes acabam sendo mais comuns na população negra. “Esta, como não tem o atendimento público de saúde necessário para controlá-las adequadamente, de forma a evitar o agravamento causado por outras enfermidades”, pontua.

A Nota Técnica Conjunta CERNA-CEPEGRE ainda analisa dados sobre incidência da COVID-19 e a letalidade da doença na população amarela, bem como realiza análises considerando a correlação da doença com um recorte entre a população do MS e a população negra do MS, por faixa etária.

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