Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira é pai do presidente da OAB e está entre os cerca 200 desaparecidos políticos da época da ditadura

O presidente Jair Bolsonaro – Arquivo/EBC

Jair Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira (2) que, mesmo sem ser obrigado, vai prestar esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suas declarações a respeito da morte de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

Nesta quinta-feira (01), o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, estabeleceu prazo de 15 dias para que o presidente da República esclareça as declarações dadas sobre o desaparecimento de Fernando. O pai de Filipe está entre os cerca 200 desaparecidos políticos da época da ditadura militar no Brasil, regime que durou de 1964 a 1985.

O pedido para que o presidente se pronuncie judicialmente sobre o assunto foi feito por Felipe Santa Cruz. O documento foi assinado por 12 ex-presidentes da OAB.

Na última segunda-feira (29) o presidente da República afirmou que “um dia” contará ao presidente da Ordem do Advogados como o pai dele, Fernando Augusto, desapareceu na ditadura militar, caso a informação interesse ao filho. Ainda segundo Jair Bolsonaro, Santa Cruz “não vai querer saber a verdade” sobre o pai.

Sem apresentar provas e com versões contrárias às que constam em documentos da Comissão da Verdade, Bolsonaro declarou que Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira foi morto por companheiros da Ação Popular (AP), organização de esquerda classificada pelo presidente como “grupo terrorista”.

Os documentos elaborados pela Marinha e pela Aeronáutica indicam que o militante foi preso por agentes do regime militar um dia antes da data em que morreu. O atestado de óbito aponta que ele teve “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”.

De acordo com o presidente da OAB, o pai foi vítima de desaparecimento praticado por agentes da ditadura, o que “foi oficialmente reconhecido pelo próprio Estado brasileiro, em reiteradas oportunidades”.