sábado, 18 - abril - 2026 : 22:46

The Economist critica isolamento internacional e queda de influência de Lula

The Economist prevê vitória da direita em 2026 caso oposição se una em torno de um candidato único

Lula vive momento de isolamento político, tanto no cenário externo quanto interno, diz The Economist – Foto: Ricardo Stuckert/PR

A revista britânica The Economist publicou uma análise contundente neste domingo (29), destacando a perda de influência internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o desgaste de sua popularidade no Brasil. Segundo a publicação, Lula vive um momento de isolamento político, tanto no cenário externo quanto interno.

Em 2022, a revista defendia Lula como a única alternativa para evitar mais um mandato de Jair Bolsonaro, classificando a possível reeleição do então presidente como um risco para o Brasil e para o mundo. Três anos depois, a avaliação mudou drasticamente, refletindo um ceticismo sobre a capacidade de Lula em liderar e influenciar.

Mesmo com a possibilidade de Bolsonaro ser condenado por tentativa de golpe, a revista destaca a força política do ex-presidente e da direita brasileira. Avalia ainda que, caso a oposição se una em torno de um novo nome, poderá voltar ao poder em 2026 com força.

No Congresso, Lula enfrenta resistência. A derrubada do decreto que aumentava o IOF foi vista como um sinal claro de fragilidade institucional. A medida, inédita em três décadas, expôs o enfraquecimento da articulação do governo com o Legislativo.

No campo internacional, o Brasil é descrito como isolado. O texto cita o distanciamento de Lula em relação ao presidente argentino Javier Milei, que aproxima a segunda maior economia sul-americana dos EUA de Donald Trump. O Brasil, por sua vez, não teria buscado estreitar laços com Washington desde o retorno de Trump ao poder.

A posição brasileira sobre conflitos internacionais também foi criticada. A condenação do ataque dos EUA ao Irã foi considerada desalinhada das democracias ocidentais. Em contrapartida, Lula tem buscado maior aproximação com China e Rússia, o que, segundo a publicação, transforma o Brics de oportunidade em risco de exposição excessiva.

Para o professor Matias Spektor, da FGV, quanto mais o Brics for instrumentalizado por China e Rússia, mais difícil será ao Brasil manter uma posição de neutralidade. Um diplomata ouvido pela revista avaliou que o momento exige contenção de danos, e não reformas ousadas como a criação de um novo sistema financeiro internacional.

The Economist também aponta a falta de protagonismo regional de Lula, que não teria conseguido liderar uma resposta latino-americana unificada a políticas migratórias ou tarifárias dos EUA. O silêncio de Trump em relação ao Brasil seria reflexo de irrelevância geopolítica.

A revista conclui que Lula deveria abandonar a pretensão de atuar como voz influente nos grandes conflitos internacionais. Para The Economist, o Brasil está distante das disputas centrais e Lula deveria focar em temas regionais e internos. (Com informações da CNN Brasil)

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