sexta-feira, 24 - abril - 2026 : 18:15

Os setores da economia que sofrem mais com o Covid-19 em Portugal

Para antever como será o futuro após o Covid-19, fomos medir o impacto da doença na economia em Portugal. Para tal pedimos à Comparamais, especialista em comparação de preços de Portugal, para nos indicar quais os sectores que mais sofreram com a crise no país

Pandemia forçou cafés e restaurantes a fecharem por quase dois meses – Divulgação

Portugal está agora começando a fase de reabertura da economia depois das medidas que decretou para minimizar o alastramento do Covid-19 entre a população. Mas, como foram quase dois meses com a economia praticamente paralisada, fomos saber junto da Comparamais quem mais sofreu com as medidas decretadas. Como se pode perceber, houve alguns setores em que o impacto dessa pandemia foi bastante forte.

Turismo ficou paralisado

A Comparamais começou por nos explicar que “o encerramento das fronteiras e suspensão de quase todas as viagens aéreas teve um impacto imenso num dos setores mais fortes da economia portuguesa, o Turismo”. O site português nos explicou que grande parte das receitas do setor são de visitantes estrangeiros, já que passam por território luso 27 milhões de turistas por território luso em 2019. Por isso, não admira que os primeiros apoios do Estado tenham sido criados para este setor.

“Como Portugal tem 10 milhões de cidadãos e passaram quase 30 milhões de estrangeiros pelo país no último ano, é fácil perceber o impacto que o Covid-19 tem neste setor da economia. Mas, além disso, também as viagens dos portugueses foram afetadas. Por exemplo na Páscoa não foi possível viajar para fora do concelho, impedindo umas mini-férias ou ir visitar a família. E mesmo o turismo religioso sofreu um grande rombo, pois a maior peregrinação nacional, do 13 de maio em Fátima, foi cancelada”.

Segundo a Comparamais, existe outro grande efeito desta crise no turismo. Falamos da TAP, a empresa de aviação nacional. “Sem os portugueses poderem sair ou os estrangeiros viajar para Portugal, a TAP teve de colocar mais de 90% dos trabalhadores em lay-off e já pediu apoio ao governo. Entre as grandes empresas portuguesas é a única, até ao momento, que já pediu intervenção do Estado para ajudar na retoma econômica”.

Venda ao público também com forte impacto

Se o turismo ficou praticamente suspenso, também o setor de restaurantes passou pelo mesmo problema. “Cafés e restaurantes foram obrigados a fechar quase dois meses. A única excepção foi o take-away e as entregas em casa de comida”. A Comparamais nos explicou que esta situação teve um duplo efeito na economia. “Por um lado, não existem receitas a entrar nas empresas e no estado. Mas, além disso, muitos trabalhadores podem perder o emprego porque falamos de negócios de pequena dimensão e frágeis, onde não existem reservas de dinheiro para responder a este tipo de crise. Como tal, os efeitos da crise neste sector vão fazer sentir-se a longo-prazo”.

Também de portas fechadas ficaram as lojas de vestuário, tanto as que se encontram nas ruas como as instaladas em centros comerciais. O mesmo se passou com os cabeleireiros e barbeiros. “Praticamente todos os trabalhadores destes setores foram colocados em lay-off”, recorda a Comparamais, explicando ainda que neste caso houve redução dos salários dos trabalhadores e necessidade de apoio do Governo para pagar aos trabalhadores.

A nível do setor produtivo também se fez sentir o impacto da crise. “A indústria portuguesa está muito orientada para a exportação de produtos. Por exemplo, mais de 90% dos carros e componentes das fábricas automóveis nacionais vão para o estrangeiro. O encerramento durante várias semanas das fábricas, a descida do consumo interno e ainda o fecho das economias dos outros países promete impactar estas atividades, como já se está a fazer sentir”.

No caso do sector automóvel as vendas aos clientes também foram bastante afetadas. A Comparamais recorda que foi precisamente por isso “que os concessionários de venda de carros foram, juntamente com os cafés e os cabeleireiros, os primeiros espaços comerciais a reabrir quando terminou o Estado de Emergência decretado em Portugal durante seis semanas”.

Nem todos ficaram a perder…

Se o cenário para muitas empresas ficou negro, outros sofreram impacto mínimo. “Com as pessoas obrigadas a ficar em teletrabalho, ou sem poder sair de casa porque as empresas fecharam, registou-se um aumento da utilização das telecomunicações. E quem trabalha neste setor acabou por não sofrer grandes perdas”. Também ligado a isso, a Comparamais recorda outro dos grandes beneficiados. “Quem vende produtos pela internet saiu a ganhar. Em menos de um mês o e-commerce passou de 8% para 33% do total das compras”.

Também os hipermercados não foram muito afetados. Segundo o site português especialista em comparação de preços, dois fatores explicam isso. “Em primeiro lugar, quando foi anunciado o confinamento as pessoas correram aos supermercados para encher a despensa de casa. E, por isso, as vendas aumentaram bastante nesses dias. Depois, mesmo com restrições, estes espaços mantiveram-se de portas abertas e, dessa forma, suavizaram os efeitos da pandemia”.

A terminar, a Comparamais destaca também outro setor que beneficiou com a pandemia. “Não podemos esquecer que os produtos de saúde passaram a ter grande procura. As luvas, máscaras e gel desinfetante esgotaram em quase todos os locais de venda. Além disso, os preços aumentaram brutalmente”. E segundo nos foi explicado, estas empresas vão continuar faturando bem nos próximos tempos. “Com a reabertura passou a ser obrigatório usar máscaras ou viseiras para poder andar nos transportes públicos ou poder ir às compras. Como não existe prazo para o fim destas medidas de proteção, seguramente vão continuar a vender-se muitas máscaras, luvas e desinfetante em Portugal ao longo dos próximos tempos…”.

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