Incomodado, Mancini cobra jogadores, aponta problemas e fala em ajustes emergenciais

O Corinthians ficou com a bola a maior parte do tempo contra o América, nesta quarta-feira, mas pouco incomodou o goleiro adversário. Para piorar, tomou um gol no fim da partida e se complicou na Copa do Brasil.

Mais que o resultado, a atuação incomodou o técnico Vagner Mancini, que na entrevista coletiva logo após o confronto válido pelas oitavas de final, cobrou os jogadores, não deixou de apontar os problemas e falou da necessidade de fazer ajustes emergenciais.

“Eu disse essa semana que queria um time agressivo, minha palestra hoje foi em cima de agressividade. Há uma distância entre aquilo que foi pedido e o que está sendo apresentado. Vai encaixar, não tenho dúvida, mas terão de ser feitos ajustes, e serão feitos, mesmo que venham com algum sofrimento, porque temos de tomar uma decisão emergencial”.

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Vagner Mancini:

Estratégia
“A escolha de entrar com ataque de mobilidade foi em função dos treinamentos, não posso ir contra o que o dia a dia me mostra e tivemos contra o Vasco uma atuação boa do Mantuan com o Cazares. Tentei espelhar aquela equipe. Eu acho, vendo, analisando com calma, com exceção do Cantillo, que todas as trocas não funcionaram, então, não quer dizer que se eu tivesse trocado no intervalo funcionaria. O jogo não foi o jogo que nós esperávamos. O Corinthians teve a bola nos pés, mas não produziu o que tinha de produzir e por isso acabou não chutando a bola ao gol. Óbvio que isso me preocupa, e muito. Tudo está baseado na personalidade em campo, tenho incentivado os jogadores ao um contra um, há jogadas desenhadas para isso, e no momento que ela acontece o jogador não está confiante. Me irritei com isso, a função que nós tínhamos para mudar o ritmo, não vou citar nomes, não foi bem feita no primeiro tempo e melhorou pouco no segundo tempo. Se há um desequilíbrio na temporada, vou tentar acertar. Isso me chateou muito, o Corinthians precisa melhorar e eu vou em busca da solução, seja de uma forma agradável ou não, porque não vou ficar assistindo passivamente uma equipe que não dá um chute a gol”.

Peso da derrota
“Óbvio que é uma situação mais difícil, porque perde em casa, mas o Corinthians tem totais condições de vencer lá. Desde a minha chegada aqui foram duas vitórias fora de casa, isso nos dá confiança de ir lá e vencer. E demonstrou isso hoje. Erramos em tomadas de decisão. Chutou quando deveria ter passado e passou quando deveria ter chutado. São decisões de dentro de campo e acabam fazendo com que você vá perdendo a confiança. Quando você não toma a decisão conveniente, você já se pressiona. Vi jogadores sem confiança para jogar e olhei para o estádio e não há uma pessoa. Não estou entendendo essa falta de confiança sem vir da arquibancada aquela cobrança. A pressão existe dentro de cada um de nós, nós sofremos, a gente não dorme, mas o torcedor sofre muito mais. Temos de ter aquilo na cabeça que é o correto, uma entrega em campo, uma imposição diferente dentro de campo. E eu não vi essa imposição, vi o Corinthians tentando propor, mas tomando decisões erradas. E quando fazer isso em sequência, você acaba dando oportunidade, como foi o gol do América”.

Resultados em casa e fora
“Não é coincidência, não. Jogamos duas fora de casa e a equipe atuou diferente. O que está faltando dentro da Neo Química Arena é uma imposição que o Corinthians sempre teve. A gente não tem visto isso. A equipe está se complicando, porque ela é indecisa na maior parte das jogadas. O gol hoje é fruto de uma indecisão, tínhamos dois para brigar pela bola e quatro contra dois do América. O lance do gol é um lance de total indecisão. E não podemos ter indecisão. Eu disse essa semana que queria um time agressivo, minha palestra hoje foi em cima de agressividade. Há uma distância entre aquilo que foi pedido e o que está sendo apresentado. Vai encaixar, não tenho dúvida, mas terão de ser feitos ajustes, e serão feitos, mesmo que venham com algum sofrimento, porque temos de tomar uma decisão emergencial”.

Chance de título
“Possível é, porque o futebol te ensina muito e te dá oportunidades. O América está na frente, mas o Corinthians pode ir lá e eliminar o América. Precisamos mudar uma série de coisas. Se não tiver isso, não ganha do América e não ganha de ninguém. Não estou pedindo nada de anormal. Tenho real consciência daquilo que está acontecendo, mas óbvio que tenho nas mãos um elenco que sofre durante a temporada. Ninguém tem varinha de condão para mudar do dia para a noite. Por isso, temos visto jogos bons fora e ruins em casa, porque há uma pressão maior em casa, quando o Corinthians tem que propor o jogo. Por exemplo, hoje, muita bola para trás. Não foi isso que fizemos em sete dias de treinamento, mas quando o jogador não está confiante, ele toca para trás. Não era o Gil que tinha de construir o jogo. Essas diferenças do treinamento para o jogo é que temos de equacionar. Isso está sendo passado. E eu, ao longo do tempo, vou enxergando quem tem mais personalidade para jogar”.

Dificuldade contra retrancas
“É mais fácil jogar de forma reativa em qualquer lugar. Você joga no erro do adversário. O América jogou de forma reativa hoje, mas o Flamengo não. Não podemos fazer essa comparação, porque foram dois jogos diferentes. Contra o Flamengo, tivemos mais chance, porque o Flamengo deu mais espaço também. Mas, de uma forma ou outra, a competitividade tem de ser muito maior, não pode ser essa, temos de mudar a postura dentro de campo. Não tenho dúvida que vamos mudar rapidamente a equipe, dentro do mês que estamos, até o final do ano. Mas isso se muda com uma série de ações: comando forte, dia a dia de trabalho forte, entrar na mente do jogador e gerar confiança para o atleta. A bola não pode queimar no pé do jogador, sendo que não temos ninguém no estádio. Se tivéssemos 50 mil pressionando, eu até entenderia. Essa mudança de postura tem e vai acontecer”.

Méritos do América
“América acertou na estratégia porque veio jogar de maneira reativa, bem compacto e o Lisca fez a troca no finalzinho para tentar achar um ataque, e ele encontrou o ataque. Ele encontrou porque foi uma bola batida, onde tínhamos quatro nos setores, não brigamos pela bola e não corremos atrás do Berola, que teve espaço para achar o passe. O América vem bem, é organizado, tem bons jogadores, que sabem o que querem, conhecem as limitações deles. E nós temos de conhecer as nossas e, mais que isso, termos melhores tomadas de decisão. A gente não pode não obrigar o goleiro a fazer uma defesa”.

Da Gazeta Esportiva

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