
O economista sul-coreano Ha Joon Chang, renomado autor de Chutando a Escada: a Estratégia do Desenvolvimento em Perspectiva Histórica, argumenta que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) operam sob uma lógica de “um dólar, um voto”, o que privilegia os países mais ricos e acaba impondo políticas econômicas que prejudicam o desenvolvimento dos países mais pobres. Segundo Chang, essas instituições atribuem maior poder de decisão aos países que mais contribuem financeiramente. Isso permite que nações como os Estados Unidos, com cerca de 80% dos votos, tenham maior influência nas políticas do FMI e do Banco Mundial, enquanto a China, cuja economia equivale a dois terços da dos EUA, tem apenas 6% dos votos. Essa distribuição de poder, afirma o economista, direciona as decisões para atender aos interesses dos países ricos.
Chang criticou também o chamado Consenso de Washington, que prescreve medidas neoliberais como cortes de gastos públicos, privatizações e desregulamentação financeira. Ele aponta que essas políticas, amplamente adotadas pelos países em desenvolvimento desde os anos 1980, não trouxeram o crescimento prometido. Como exemplo, Chang observa que, na década de 1970, a América Latina crescia mais de 3% ao ano, mas, após a implementação das políticas neoliberais, o crescimento médio caiu para cerca de 0,8%.
Em seu livro, Chang sugere que os países desenvolvidos impõem aos países em desenvolvimento políticas que eles próprios não usaram para alcançar seu atual nível de prosperidade. A metáfora de “chutar a escada” refere-se a essa prática, impedindo que os países em desenvolvimento trilhem o mesmo caminho que os ricos seguiram.
Durante o G20 Social, evento preparatório à cúpula do G20, Chang participou de discussões que defendem reformas nas estruturas do FMI e do Banco Mundial para que países menos desenvolvidos possam ter maior participação decisória. Essa reforma é uma das prioridades do governo brasileiro na cúpula do G20, que ocorre em novembro no Rio de Janeiro.
Contudo, analistas apontam que a eleição de Donald Trump pode limitar o debate sobre a reforma da governança global, visto que sua última gestão desconsiderou fóruns internacionais. O embaixador Celso Amorim, assessor do presidente Lula, ponderou que o processo de reforma deve continuar e espera-se que o próprio Trump, ao buscar interesses nacionais, possa contribuir indiretamente para essas mudanças.
- Com Agência Brasil




















