Funeral de Soleimani reúne multidão nas ruas do Irã

General foi morto em ataque dos EUA em Bagdá no dia 2 de janeiro – Foto: EPA

Uma multidão tomou as ruas do Teerã, capital do Irã, nesta segunda-feira (6) para acompanhar o funeral de Qassem Soleimani, morto na última quinta-feira (2) em um ataque dos Estados Unidos em Bagdá.

O corpo chegou ao país neste domingo (5) e o cortejo teve início pela cidade de Ahvaz, passando pelo município sagrado de Mashhad. Amanhã (7), no entanto, o corpo de Soleimani seguirá para sua cidade natal, em Kerman, onde será realizado o sepultamento.

Mais cedo, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei liderou uma homenagem ao general iraniano nos arredores da Universidade da capital do país. Lá, ele fez orações pelo comandante da Força Quds, unidade de elite dos Guardiões da Revolução, considerada uma força terrorista.

Milhares de pessoas carregam bandeiras vermelhas, verdes e brancas decoradas com dizeres religiosos, além de fotografias do general. O ato ocorre sob os gritos de “Morte à América”. As autoridades declararam três dias de luto nacional.

Soleimani, de 62 anos, e outras seis pessoas foram alvos de um ataque com drones realizado no aeroporto internacional de Bagdá, no Iraque, na última quinta-feira (2). A ofensiva foi autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na ocasião, Trump alegou que autorizara a morte de Soleimani para evitar novos conflitos, ressaltando que o general planejava ataques contra os interesses dos Estados Unidos. O republicano, no entanto, negou que tenha a intenção de iniciar uma guerra contra o Irã, apesar do episódio ter elevado a níveis máximos a tensão no Oriente Médio.

O general iraniano era apontado como o líder por trás da estratégia militar e geopolítica do país, que prometeu se vingar de sua morte. Em resposta, Trump afirmou que irá atacar 52 alvos iranianos caso os norte-americanos sejam alvo de alguma operação.

Após o conflito, o Irã chegou a anunciar que não respeitará mais o acordo nuclear, firmado em 2015, que limita o nível de enriquecimento de urânio a 3,6%. Além disso, informou que sua produção não terá mais nenhuma restrição.

O presidente dos EUA, por sua vez, disse que não permitirá que o Irã tenha armas nucleares. “O Irã nunca terá a arma nuclear”, escreveu em sua conta no Twitter.

Enquanto isso, a filha de Soleimani, Zeinab Soleimani, disse que a morte de seu pai “trará dias mais escuros” para os Estados Unidos e Israel.

Em seu discurso perto da Universidade de Teerã, ela afirmou que o “plano maligno” de Trump de causar a separação entre Iraque e Irã falhou.

“Trump, seu jogador compulsivo, seu plano maligno de causar separação entre o Iraque e o Irã com seu erro estratégico de assassinar Qasem Soleimani e Abu Mahdi Al-Muhandis [líder da milícia iraquiana] falhou e só causou unidade histórica entre as duas nações e provocou seu ódio eterno pelos Estados Unidos “, disse Zeinab.

Brasil

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (6) que, mesmo com a tensão no Oriente Médio entre Irã e Estados Unidos, a tendência é de que o preço do combustível no Brasil se estabilize.

A declaração foi dada após o preço do barril de petróleo registrar forte alta na semana passada em meio à escalada da tensão após a morte de Soleimani.

“Reconheço que o preço [dos combustíveis] está alto na bomba.Graças a Deus, pelo que parece, a questão lá dos Estados Unidos e Iraque, do general lá que não é general e perdeu a vida [Soleimani], não houve… O impacto não foi grande. Foi 5% passou para 3,5%. Não sei quanto está hoje a diferença em relação ao dia do ataque. Mas a tendência é estabilizar”, disse o presidente na saída do Palácio da Alvorada.

Na ocasião, Bolsonaro ainda ressaltou que Soleimani “não era general”. O iraniano é considerado pelos Estados Unidos, ao qual o governo brasileiro é alinhado, como terrorista. (Da AnsaFlash)