Manoel Botelho já vendeu mais de 80 mil cópias do livro ‘Concreto armado, eu te amo’

Discussão aconteceu durante semana acadêmica do curso em 2019 – Divulgação/Unigran

Se cursar engenharia civil já não é fácil, imagina no tempo em que os autores tratavam a área com uma linguagem complexa e sem preocupação com o entendimento do aluno? Manoel Henrique Campos Botelho decidiu mudar essa realidade e escrever para quem queria aprender mais. Lançou, na década de 1980, o livro experimental ‘Concreto, eu te amo’, um manual para profissionais da área, simplificando a famosa área de cálculo estrutural.

A UNIGRAN recebeu o escritor, durante a Semana Acadêmica de Engenharia Civil 2019. Durante o bate-papo com os estudantes, Botelho disse que seus maiores incentivadores da profissão foram os professores. “Eu estudei com alguns excelentes professores, eles me marcaram profundamente com a maneira deles se dedicarem e pela maneira de ensinar”, menciona.

Na época da faculdade, o engenheiro civil lembra que as aulas terminavam em dezembro e só retornavam em março. Durante este período, quem quer ser engenheiro, não devia ficar ocioso. “O estágio é ver a vida. Eu tive estágios em vários locais, aprendi e vi muitas coisas que jamais eu veria fora, os bons professores se orgulhavam de arrumar estágio para os alunos, a figura do professor é sempre marcante e o estágio é muito importante”, ressalta.

Sobre os livros de engenharia, Manoel Botelho, que é considerado a maior autoridade em concreto armado do país, afirma que há um problema no Brasil: “hoje os autores de livros não escrevem para os alunos, escrevem para demonstrar o seu saber. Eu tomei a decisão de ensinar diferente, como eu gosto de comunicação e já tinha uma experiência profissional, chamei um colega, Osvaldemar Marchetti, que é coautor do livro e escrevemos um livro sobre a prática, foi um sucesso, já vendemos 80 mil exemplares”, menciona. O escritor ressaltou que tem os que são apaixonados pela matemática, assim como os que têm dificuldades. O autor de livros da área tem que atender os dois grupos.

A UNIGRAN tem feito diversos investimentos em laboratório, o que interfere e influencia muito na formação acadêmica, de acordo com o engenheiro civil. “É tudo [a estrutura]. […] O aluno precisa saber que a vida e a engenharia são cheias de variáveis. Com a experiência de existência de concreto no laboratório, o aluno vai ter uma quantidade enorme de resultados e a partir desses resultados você vai ter que extrair alguns valores. O laboratório mostra claramente a realidade das coisas, as grandes experiências da física nasceram em laboratórios rudimentares, uma das mais famosas experiências que existiu da história da humanidade, foi a questão se os corpos caem com a mesma velocidade”, cita Botelho.

Engenheiro Civil formado em 1965, na Escola Politécnica da USP, Manoel Botelho trabalhou como engenheiro projetista nos setores de saneamento e projetos industriais e ainda gerencia projetos para a Sabesp (SP), Cedag (Rio de Janeiro) e entidades municipais. Para os novos profissionais ele enfatiza: “primeiro melhorar o inglês, isso abre horizontes comerciais, procure estudar, observar e evoluir, fazer cursos, não basta se formar na faculdade, curso de oratória, de tecnologia, vestir-se bem, ter bom português. Além de participar bastante da vida associativa, da vida política, procurar ler bastante, com a internet tudo se tornou mais fácil”.

Confira a entrevista com o escritor e engenheiro civil Manoel Botelho: encurtador.com.br/goDHI.

A Semana Acadêmica

Além da palestra do professor Manoel Botelho, o engenheiro Nelison Ferreira Correa falou sobre ‘Enquadramento Ambiental na Obra Civil’. ‘Uso dos Resíduos Sólidos da Construção Civil’ foi abordado pela engenheira Danielle Cristine Pedruzzi. O Diretor de Inovação da UNIGRAN, Fabiano A. Nagamatsu, tratou do uso da inteligência artificial. Vigilância Sanitária (Normas para Elaboração de Projetos), foi abordado pelo engenheiro Paulo Figueredo e ‘Enquadramento Ambiental na Obra Civil (Normas do IMASUL)’ por Nelison Ferreira Correa.

O responsável pelo Núcleo Tecnológico UNIGRAN, Elson Luiz da Silva, tratou da temática ‘Ensaios de Laboratório na Construção Civil’. A ‘Importância de Sistema de Gestão da Qualidade e Norma de Desempenho’ foi proferida pelo engenheiro Gustavo Escobar Miranda. Ferramentas do Engenheiro, por Matheus Alves Martins e Adriano Montoro, da SIENGE. Sérgio Bandeira, da Isoeste, falou sobre Sistemas Construtivos. Ensaios de Blocos para Alvenaria Estrutural foi temática de Eduardo Marim Santos. ‘A Importância de Sistema de Gestão da Qualidade e Norma de Desempenho’ foi tratada pelo engenheiro Gustavo Escobar Miranda e as Rotinas de Trabalho no Escritório de Engenharia Civil por Poliana Cláudia Lopes Collodetto.