quarta-feira, 22 - abril - 2026 : 14:23

Do Mangue ao Cerrado: Trupe pernambucana traz a arte de Chico Science para Campo Grande

As apresentações serão realizadas no anfiteatro da UEMS, com entrada gratuita e classificação de 10 anos – Divulgação

De segunda a quarta-feira, 16 a 18 de junho, Campo Grande vai entrar na vibração do Manguebeat com a chegada do espetáculo Circo Science – do Mangue ao Picadeiro, da Trupe Circus, braço artístico da Escola Pernambucana de Circo. As apresentações serão realizadas no anfiteatro da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), com entrada gratuita e classificação de 10 anos. Já as atividades formativas ocorrem no Circo do Mato.

Inspirado na obra de Chico Science e nos 30 anos do Movimento Manguebeat, o espetáculo mistura circo contemporâneo, dança, música e manifesto social. A montagem mergulha no universo criativo e contestador do artista pernambucano, traçando paralelos entre as juventudes periféricas do Recife e de outras regiões do Brasil.

“O Manguebeat continua pulsando como força de resistência e criação. Ele representa exatamente o que somos: artistas periféricos que transformam dor e sonho em arte”, afirma o diretor do espetáculo, Ítalo Feitosa.

Para a artista circense Maria Karolyna, o público de Campo Grande pode esperar uma experiência intensa, que ultrapassa o entretenimento. “O público pode esperar uma experiência encantadora com números circenses de malabarismo, contorcionismo, acrobacias aéreas e de solo, coreografias, e os sons que saíram da periferia de Recife proporcionando ao público uma mistura de encantamento e reflexão. Acredito que o espetáculo vai além do entretenimento: ele reafirma nossas origens, potencializa as periferias do Recife, dá voz e vez ao protagonismo das mulheres, conecta ciência, cultura popular e arte de um jeito vivo e cheio de identidade”.

O projeto de circulação do espetáculo conta com o financiamento do MinC – Ministério da Cultura, e da Transpetro, via incentivo da Lei Rouanet, o que viabiliza essa primeira circulação nacional pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. “Sem esse incentivo, não conseguiríamos realizar essa circulação, muito menos ter essa abrangência”, afirma a coordenadora executiva da Escola e produtora do espetáculo, Fátima Pontes, que ainda destaca a importância das parcerias locais. “Essa vinda para Campo Grande só está sendo possível também, por causa do apoio da UEMS através das escolas de dança e teatro, e do Circo do Mato, que estão juntos conosco na produção local”.

Agenda – Todas as apresentações serão realizadas no anfiteatro da UEMS. A primeira será na segunda-feira (16), às 19h, aberta ao público geral. Na terça-feira (17), às 9h, a Trupe se apresenta para escolas públicas, ONGs e projetos sociais. A programação encerra na quarta-feira (18) com oficinas de formação: Lei Rouanet pela manhã e uma vivência circense com a Trupe Circus, à tarde, espaço cultural do Circo do Mato. As vagas dos cursos são gratuitas e limitadas, com reservas pelo WhatsApp: (67) 99912-1420.

“É um espetáculo que junta tradição e tecnologia, raiz e antena, como dizia Chico. Falamos de desigualdade, mas também da nossa potência cultural. O picadeiro vira espaço de manifesto, onde equilibrismo, acrobacia e poesia criam novas formas de dizer: existimos”, explica o diretor Ítalo.

A montagem é resultado de um processo criativo coletivo com jovens artistas formados na Escola Pernambucana de Circo. No palco, Ítalo Feitosa, Maria Karolyna, Gabriel Marques, Bruno Luna, João Fernando e João Vítor encarnam a alma mangue, com coreografias, figurinos e trilha remixada que reverenciam a estética e sonoridade de Chico Science e da Nação Zumbi.

“Essa circulação é um marco para nós. Estamos passando por dois grandes territórios do Brasil, levando o nosso som, a nossa arte e nossa história. O público de Mato Grosso do Sul pode esperar um espetáculo provocador, cheio de energia, que mistura circo, música e identidade. Vai ser bonito ver as semelhanças entre a cultura de Recife e as expressões locais do Centro-Oeste”, pontua Ítalo.

A atriz Maria Karolyna também destaca as conexões culturais e a força da cena. “O espetáculo é um manifesto vivo porque ele não só fala, ele mostra através dos nossos corpos, nas músicas na rua da cidade de Recife transmitida na projeção, e nas poesias vivas na cena”.

Segundo a artista, a cultura periférica que Chico defendia ainda pulsa e precisa ser mostrada. “O movimento manguebeat não acabou — nós somos a continuidade dele. Esperamos que, em cena, haja essa travessia poética do mangue ao cerrado, porque temos o cerrado também pulsa cultura e resistência, e ver essa conexão acontecer com artistas, públicos e expressões locais é algo que emociona. No espetáculo, cada movimento é uma afirmação de identidade, cada cena é resistência, cada riso é político”.

Oficinas – Além do espetáculo, o grupo investe em intercâmbio cultural com artistas locais. Em Campo Grande, haverá troca com o Grupo Circo do Mato, referência no cenário regional. “A formação também faz parte da nossa missão. Na quarta (18), teremos oficina sobre projetos via Lei Rouanet e uma vivência em circo. Queremos compartilhar o que sabemos e aprender com o que o Mato Grosso do Sul tem a ensinar”, completa ítalo.

Com 29 anos de atuação, a Escola Pernambucana de Circo é reconhecida pelo trabalho com arte, educação e inclusão social, principalmente com crianças, jovens e populações periféricas do Recife. O projeto reafirma o circo como linguagem viva, crítica e transformadora.

A dramaturgia leva a assinatura de Fátima Pontes, com trilha remixada por Vibra DJ, figurinos de Marcondes Lima e cenografia coletiva. A obra conta com consultoria sobre a trajetória de Chico Science assinada por Louise França, Goreti França e Priscila Moreira. A iluminação, coreografias e visualidade dialogam com os traços da estética Mangue.

“Circo Science é mais que espetáculo, é um grito coletivo. Somos mangueboys e manguegirls do presente, dizendo que é possível resistir e existir com beleza, força e criatividade”, conclui Ítalo.

Serviço:

Circo Science – do Mangue ao Picadeiro

16 e 17/06 (segunda, 19h e terça, 9h)

Anfiteatro da UEMS – Av. Dom Antônio Barbosa 4155 – Santo Amaro

Entrada gratuita e com intérprete em libras

18/06 (quarta) – Oficinas gratuitas – vagas limitadas:

9h às 12h – Oficina Elaboração de Projetos via Lei Rouanet

14h às 17h – Vivência em Circo com a Escola Pernambucana de Circo

Local Circo do Mato – 263 – Bairro Amambaí

Reservas: (67) 99912-1420.

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