A mudança de horário influencia uma alteração no ritmo e nos processos circadianos 

No próximo sábado, dia 16 de fevereiro, chega ao fim o horário de verão. A partir da meia noite do domingo, a população de 10 estados, incluindo Mato Grosso do Sul, e do Distrito Federal ganharão mais uma hora em seus relógios. 

Tendo em vista que a maior parte das pessoas se adapta melhor a atrasos que a avanços de horário, o término do horário de verão torna-se menos traumático que o início, pois, além disso, é benéfico para o organismo perceber o ambiente com luz natural ao acordar, ao invés da escuridão. 

Apesar da mudança de horário ser considerada mais agradável, a neurofisiologista clínica da Unimed Campo Grande, Dra. Aline Marques, explica que a proporção de luz solar durante o dia influencia uma alteração no ritmo e nos processos circadianos, que são controlados por um relógio biológico natural. 

“A adaptação a essas mudanças artificiais de horário requer um certo tempo, porque o corpo demora um pouco a perceber. O tempo que se segue aos dias de transição do horário de verão podem levar a distúrbios de sono, fadiga, dor de cabeça, falta de atenção, perda de apetite, bem como reduzir a motivação”, analisa. 

O prazo de adequação varia de acordo com cada organismo, mas a maioria das pessoas se acostuma com o novo horário em até uma semana. Ainda assim, existem grupos populacionais que não conseguem se acostumar facilmente com a mudança. 

“Como sabemos que há uma parcela de pessoas que tem maior dificuldade de se habituar a estas mudanças, é interessante saber em qual grupo nos encaixamos. As pessoas que tem um cronotipo noturno, idosos e pessoas com problemas de saúde se beneficiarão mais de medidas que ajudam a tornar a transição de horário mais tranquila para o organismo.” 

Uma das ações para facilitar o ajuste é “atrasar gradualmente a hora de ir para a cama. Deitar-se cerca de 10 minutos mais tarde a cada dia, iniciando uma semana antes da mudança de horário. Assim, o organismo consegue se adaptar de uma forma mais lenta e confortável”, recomenda a médica. 

Para evitar um aumento na latência do sono (tempo entre a hora que a pessoa deita até a hora que o sono efetivamente se inicia) e no número de despertares noturnos, que se traduzem em redução da eficiência do sono, a doutora aconselha: 

– Manter o quarto silencioso, escuro e com temperatura amena na hora de dormir. 

– Evitar fazer atividades físicas extenuantes até 6h antes do horário de dormir. 

– Reduzir a utilização noturna de celulares, computadores, televisão, principalmente próximo ao horário de dormir (idealmente 2 horas antes). 

– Evitar alimentos e bebidas estimulantes, além do cigarro e bebidas alcoólicas, durante a noite. 

– Manter os horários das refeições e de tomar remédios de acordo com o relógio. 

– Evitar oscilações de mais de 2h nos horários de sono aos finais de semana.