sábado, 18 - abril - 2026 : 13:05

Crise aumenta desemprego e tende a agravar problemas no sistema de saúde

Queda no volume de emprego pode acarretar na fuga dos convênios médicos e a superlotação do Sistema Único de Saúde

Desemprego vai resultar em fuga dos planos de saúde – Foto: José Cruz/ABr

A atual crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus tende a ganhar contornos ainda mais preocupantes nos próximos meses com o aumento do desemprego. Caso seja confirmado, a movimentação deve resultar em uma fuga de beneficiários dos planos de saúde e pode agravar ainda mais a situação do SUS (Sistema Único de Saúde). As informações são do R7.

A divulgação mais recente da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que pouco mais de um quarto (27,6%) da população brasileira é beneficiária de algum plano de saúde. Entre os desempregados, o percentual é 10 pontos inferior, de apenas 17%.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostra que há no país cerca de 47 milhões de beneficiário de convênios médicos privados. Para Marcelo Neri, diretor do FGV Social, é “preocupante” o que pode vir a acontecer com o setor e as consequências no SUS ao longo dos próximos meses.

“O que ainda salva um pouco o brasileiro é a existência de um serviço público de saúde. O problema é que esse serviço foi sucateado ao longo dos anos por conta da crise econômica. Agora, com a chegada da pandemia, esse efeito tende a ser muito mais agudo”, observa Neri.

A afirmação pode ser confirmada pelos dados do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), que apontam para o aumento do número de beneficiários dos planos de saúde sempre que há queda no percentual de desempregados. Há de se destacar ainda que os convênios empresariais correspondem a quase 70% das contratações.

Para o diretor do FGV Social, mesmo quem consegue manter o plano após ficar desempregado não sustenta a mesma qualidade do serviço. “Eles têm que fazer uso do sistema público e, em uma situação como a atual, a qualidade é ainda pior por conta da superlotação causada pela pandemia”, lamenta.

Durante sua posse como ministro da Saúde, Nelson Teich defendeu a necessidade de tratar o coronavírus e a manutenção do emprego paralelamente. “Se tivermos mais desemprego, com menos gente com plano de saúde, vai impactar o SUS”, alertou.

Segundo o IBGE, o Brasil fechou o primeiro trimestre de 2020 com 12,9 milhões de desempregados. Apesar de ainda não refletir totalmente os efeitos da pandemia, o valor corresponde a 12,2% da população e já é 1,2 ponto percentual superior ao número registrado no trimestre finalizado em dezembro.

Na avaliação de Neri, o corte do convênio médico surge na vida dos brasileiros como uma conquista. “Isso já foi perdido ao longo dos anos por conta da crise que começou a ser revertida lentamente a partir de 2017. Se você pegar a recessão entre 2014 e 2018, a renda média dos brasileiros caiu 2%, mas a renda dos 5% mais pobres caiu 39%”, explica ele.

João Sobreira Neto, diretor de defesa da APM (Associação Paulista de Medicina), afirma que o congestionamento dos leitos é uma realidade atual tanto na saúde pública quanto nos hospitais particulares.

“O problema é que 60% da população do Brasil depende do SUS. Com isso, a gente vê que o SUS vai sofrer a cada dia uma sobrecarga maior por conta de um volume que é maior, mas o sistema de saúde privado também está sobrecarregado”, destaca Neto.

O diretor da APM vê ainda uma situação preocupante dos serviços terceirizados de saúde em meio à pandemia. “O SUS eu acredito que não vá sofrer muito, mas na área particular já está ocorrendo isso, com uma diminuição nos atendimentos de rotina, fora da emergência, e já resultou em demissões”, diz.

Neto avalia que uma possível “catástrofe” no sistema vai depender das políticas governamentais adotadas. “É provável que o pico seja agora em maio. A parti daí, deve haver uma diminuição no número de casos e a liberação de leitos. O que se espera é que exista um controle para não haver um colapso”, afirma ele ao defender o isolamento social.

DEIXE UM COMENTÁRIO/RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Nosso site usa cookies e, portanto, coleta informações sobre sua visita para melhorar nosso site (por meio de análise), mostrar a você conteúdo de mídia social e anúncios relevantes. Consulte nossa página Política de Privacidade e Cookies para obter mais detalhes. Você também pode recusar clicando no botão.

Definição de Cookie

Abaixo você pode escolher quais tipos de cookies permitem neste site. Clique no botão "Salvar configurações de cookies" para aplicar sua escolha.

FuncionalNosso site usa cookies funcionais. Esses cookies são necessários para permitir que nosso site funcione.

AnalíticoNosso site usa cookies analíticos para permitir a análise de nosso site e a otimização para o propósito de otimizar a usabilidade.

Social mediaNosso site coloca cookies de mídia social para mostrar conteúdo de terceiros, como YouTube e FaceBook. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

AnúnciosNosso site pode utilizar cookies de publicidade para mostrar anúncios de terceiros com base em seus interesses. Esses cookies podem rastrear seus dados pessoais.

OutrosAlgum conteúdo publicado em nosso site pode incluir cookies de terceiros e de outros serviços de terceiros que não são analíticos, mídia social ou publicidade.