sábado, 18 - abril - 2026 : 19:35

Cresce pressão por depoimento de ex-secretário contra Trump

John Bolton confirmou “toma lá, dá cá” no caso Ucrânia

John Bolton foi conselheiro de Trump para Segurança Nacional – Foto: EPA

A divulgação de trechos de um livro escrito pelo ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca John Bolton fez a oposição aumentar a pressão para o Senado convocá-lo a depor no processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

Demitido em setembro passado devido a discordâncias em assuntos de política externa, Bolton diz em seu livro que Trump pediu o congelamento de uma ajuda militar de quase US$ 400 milhões à Ucrânia até que o país europeu se comprometesse a investigar Joe Biden, pré-candidato democrata à Presidência.

Esse suposto “toma lá, dá cá” está no centro do processo de impeachment contra Trump, que é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso. Segundo a denúncia, o presidente bloqueou a ajuda militar à Ucrânia para forçar o país a investigar Biden, cujo filho, Hunter, trabalhava para uma empresa ucraniana de energia, a Burisma.

Em 2016, Biden, então vice-presidente dos EUA, pressionou e conseguiu de Kiev a demissão do procurador-geral Viktor Shokin, que investigava a Burisma e era considerado corrupto pela Casa Branca e pela União Europeia.

Trump diz que o bloqueio da ajuda militar não tinha relação com a pressão para a Ucrânia investigar Biden, mas o livro de Bolton, que ainda não chegou às lojas, indica o contrário. Os sete congressistas democratas que fazem o papel de acusação no impeachment qualificaram a revelação como “explosiva” e pediram a convocação do ex-conselheiro de Segurança Nacional.

Como o partido conta com 47 dos 100 votos no Senado, precisará convencer ao menos quatro republicanos a aprovarem a solicitação. Até agora, a maioria governista rejeitou todos os pedidos dos democratas e impôs seu próprio ritmo ao processo, mas já há quem aposte na convocação de Bolton.

O senador Mitt Romney, um dos maiores críticos de Trump dentro do partido, disse que é “cada vez mais provável” que quatro republicanos apoiem o pedido para o ex-conselheiro testemunhar. A votação deve ocorrer no fim da semana.

Já o presidente negou ter dito a Bolton que a ajuda militar à Ucrânia estivesse condicionada a um inquérito contra Biden. “Se ele disse isso, é apenas para vender seu livro”, escreveu o magnata no Twitter. Para condenar Trump, são necessários dois terços dos votos no Senado (67 de 100), o que significa que ao menos 20 republicanos teriam de apoiar o impeachment.

Da AnsaFlash

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