
No dia 21 de junho fez 52 anos que o Brasil conquistou a Copa do Mundo de 1970, realizada no México. Na edição anterior, a de 1966, vencida pela anfitriã Inglaterra, a seleção brasileira não chegara nem às semifinais. Mesmo assim, quatro anos depois, a equipe comandada por Pelé era uma das favoritas. E qual é o seu palpite para o Mundial do Catar? Saiba mais detalhes sobre o universo do entretenimento esportivo e faça suas apostas.
Outros fortes candidatos em 70 eram o Uruguai, a Itália, a Inglaterra e a Alemanha Ocidental. Sim, a Alemanha estava dividida em duas: a Ocidental e a Oriental. Eram os tempos da Guerra Fria, e o mundo era repartido em dois blocos representados emblematicamente pelo Muro de Berlim.
O Brasil cumpriu bem sua função jogando um futebol bonito e venceu quase todas as seleções citadas acima, que à época já haviam sido campeãs do mundo. Só não enfrentou a Alemanha Ocidental, que foi eliminada pela Itália nas semifinais. Esta partida foi épica, e é considerada uma das mais emocionantes de todas as Copas.
Este “renhido prélio”, como se dizia antigamente, foi decidido nos minutos finais da prorrogação, numa partida em que o “Kaiser” Franz Beckenbauer jogou com o ombro direito deslocado, preso por uma espécie de tipoia improvisada.
Mas o Brasil também teve de passar por obstáculos dificílimos para ser campeão. Na fase de grupos, a Inglaterra foi uma verdadeira pedreira. O time inglês jogou de igual para igual e teve várias chances de abrir o marcador. No entanto, a vitória apertada do Brasil, por 1 a 0 (gol de Jairzinho), demonstra o nível de superação que a seleção de Zagallo era capaz de atingir.
Outra dureza para a seleção canarinha foi a semifinal contra o Uruguai. Um jogo por vezes violento e com o fantasma da Copa de 1950 pairando sobre os brasileiros. Isso porque, naquela edição, a vitória do Uruguai por 2 a 1 sobre o Brasil, de virada dentro de um Maracanã lotado por 200 mil pessoas, fez surgir o termo “Maracanaço”, que serve até hoje para identificar a tragédia.
Já em 70 o Uruguai inaugurou o placar com um gol marcado por Cubillas, aos 17 minutos da primeira etapa. Com os instantes finais do primeiro tempo se aproximando, tudo indicava que, na segunda etapa, o Uruguai viria na retranca e exploraria os contra-ataques a fim pegar a defesa desguarnecida, já que o Brasil iria para o tudo ou nada.
O time uruguaio conhecia bem os passes de 30, 40 metros de Gérson, o “Canhotinha de Ouro”. A ordem era que o time uruguaio não desse espaço para ele jogar. Gérson, acuado pela marcação, disse então ao jovem volante Clodoaldo – de apenas 20 anos: “sai você para o jogo.” Clodoaldo saiu, recebeu um passe de Tostão já na grande área e fez o gol de empate aos 45 minutos do primeiro tempo.
Este gol deu tranquilidade ao Brasil, que marcou mais duas vezes no segundo tempo: Jairzinho, aos 26 minutos, e Rivellino, aos 44. É bom frisar que o uruguaio Mazurkiewicz foi eleito o melhor goleiro desta Copa.
A final entre Brasil e Itália foi um espetáculo. A equipe italiana não viu a cor da bola. O placar de 4 a 1 revela bem a superioridade da seleção brasileira, que ganhou com autoridade.
Quase todos os jogadores brasileiros vestiam a camisa 10 em seus times de origem. Era uma fartura em termos de talento individual; as arrancadas fulminantes de Jairzinho (que marcou gol em todos os jogos); os passes certeiros de longa distância de Gérson; as patadas atômicas de Rivelino; e o vai-e-vem de Tostão de uma área a outra. Não bastasse isso, ainda havia um rei dentro de campo para coroar a empreitada com jogadas geniais e inesperadas, gols lindos e passes precisos para os gols dos companheiros.
Sejamos, então, saudosistas de uma época que não volta mais. Um saudosismo sadio e positivo, porque sabemos que o que aconteceu está marcado para sempre na história. Mesmo quem ainda não era nascido pode testemunhar os feitos daquele time: os jogos estão disponíveis nos meios virtuais e são de encher os olhos. Aproveitem.




















