Comitê divulgou denúncia que motivou abertura de impeachment

Trump enfrentará investigação de impeachment no Congresso – Foto: EPA

O Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (26) a denúncia feita por um agente que motivou a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump.

O documento de nove páginas mostra que o “whistleblower”, uma espécie de delator que não tem envolvimento com os supostos crimes, acusa o republicano de usar o “poder do cargo” para pedir ajuda do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, contra um adversário político, o pré-candidato democrata à Casa Branca Joe Biden.

Além disso, o agente anônimo diz que o governo americano tentou ocultar o conteúdo de uma conversa telefônica entre Trump e Zelensky realizada em 25 de julho. “Estou profundamente preocupado com aquilo que parece ser um sério e flagrante abuso de poder e uma violação da lei por parte do presidente”, diz a denúncia, que foi apresentada em agosto passado, mas acabou ignorada pelos superiores do delator.

Segundo ele, advogados da Casa Branca pediram para funcionários removerem a transcrição eletrônica do sistema informático no qual essas conversas costumam ser armazenadas. O “whistleblower” alega que a transcrição foi carregada em um sistema separado e usado para guardar informações confidenciais, embora a conversa não contivesse assuntos de segurança nacional.

“Recebi informações de diversos funcionários do governo de que o presidente está usando seu poder para solicitar interferências de um país estrangeiro nas eleições de 2020. Isso inclui a pressão sobre um país estrangeiro para investigar um dos maiores rivais políticos do presidente”, acrescenta o agente.

Em 25 de julho, segundo transcrição divulgada pela Casa Branca, Trump pediu para Zelensky conversar com o procurador-geral dos EUA, William Barr, e o advogado pessoal do presidente, Rudy Giuliani, sobre um caso envolvendo Biden, favorito para disputar as eleições de 2020 pelo Partido Democrata.

Em 2016, Biden, então vice-presidente dos Estados Unidos, fez pressão para a Ucrânia demitir o procurador-geral Viktor Shokin, tido como corrupto pelo governo Obama e pela União Europeia. Shokin, no entanto, também investigava uma empresa ucraniana de gás que tinha o filho de Biden, Hunter, como conselheiro.

Antes do telefonema com Zelensky, Trump congelou uma ajuda financeira de US$ 391 milhões à Ucrânia, levantando a suspeita de que ele estaria tentando pressionar Kiev a investigar os Biden para prejudicar o democrata na corrida eleitoral.

O republicano diz que seu objetivo era fazer a União Europeia aumentar as contribuições para a Ucrânia.

Obstrução

Segundo o “whistleblower”, nos dias seguintes à conversa entre Trump e Zelensky, alguns funcionários da Casa Branca intervieram para colocar em segurança “as informações relativas à chamada, sobretudo a transcrição literal”.

“Essas ações, no meu modo de ver, evidenciam que os funcionários da Casa Branca haviam entendido a gravidade da conversa”, afirma o denunciante. O agente, contudo, ressalta que “não assistiu diretamente a muitos dos eventos descritos”.

“De qualquer modo, achei que o relato de meus colegas eram verossímeis porque, em diversos casos, outros funcionários haviam feito reconstruções parecidas”, acrescenta. A Casa Branca afirmou que a denúncia se baseia em informações de “terceira mão”.

O “caso Ucrânia” motivou a abertura de um processo de impeachment contra Trump na Câmara dos Representantes, que é controlada pelo Partido Democrata. As investigações devem ser concluídas ainda neste ano, e o parecer será submetido ao plenário, onde precisará de maioria simples para ser aprovado.

Em seguida, a eventual denúncia seguirá para o Senado, de maioria republicana e a quem cabe julgar o presidente. Para Trump ser condenado, serão necessários dois terços dos senadores.

Da AnsaFlash