Mobilização tem o intuito de incentivar e desmistificar temas como a adoção tardia - Divulgação
Mobilização tem o intuito de incentivar e desmistificar temas como a adoção tardia – Divulgação

No Dia Nacional da Adoção, comemorado em 25 de maio, alunos do Projeto Lapidando Talentos, desenvolvido pela Fiems em parceria com o Sesi e Senai, participaram de evento de mobilização, realizado pela comarca de Corumbá e Ladário, para incentivar e desmistificar temas como a adoção tardia. Os estudantes do projeto, idealizado pelo 3º vice-presidente regional da Fiems e presidente do Simec (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Corumbá), Lourival Vieira Costa, distribuíram panfletos à população que passava pela Praça Central de Corumbá e contribuíram, ainda, com a divulgação do “Projeto Padrinho”, do Tribunal de Justiça, em que é possível apadrinhar crianças institucionalizadas financeira ou afetivamente.

“Levamos os alunos do Lapidando Talentos para a visitar as casas de acolhimento e, desde que isso vem acontecendo, houve uma mudança de comportamento muito grande por parte deles. São todos alunos oriundos de escolas públicas, muitos deles em situação de vulnerabilidade e que, com o projeto, tiveram uma oportunidade de crescer. Então, percebemos que este contato com as crianças os fez enxergar uma outra realidade, de pessoas que precisam de tanto ou mais cuidado do que eles, e só estão em busca de carinho, afeto, calor humano. No projeto, sempre reforçamos a importância de valores como o honestidade e cuidado com o próximo”, afirmou Lourival Vieira Costa.

A aproximação com as crianças, acrescenta o diretor da Fiems, já rendeu bons frutos. “Na primeira visita que fizemos à casa de acolhimento uma das nossas alunas se apegou de tal forma a uma das crianças que se sentou no chão com ela no colo e ficou bastante emocionada, e queria a todo custo leva-la para casa com ela para passar o fim de semana. A assistente social a orientou, claro, mas as duas hoje são muito próximas, criaram um vínculo impressionante, o tipo da coisa que não tem preço”, comentou.

Alunos

Para a aluna do Lapidando Talentos, Livia Karen da Silva, a aproximação com as crianças institucionalizadas, e participação em ações como a do Tribunal de Justiça representam um legado para as próximas gerações. “É algo revolucionário o que estamos fazendo em prol de crianças carentes, que precisam do nosso apoio. Se a gente não fizer nada elas podem nunca conseguirem ser adotadas. Essas crianças não precisam da pena das pessoas, precisam de amor, de atenção. Essa é uma ótima ação, mais do que isso, envolve muito carinho pelas pessoas e, deixa o legado de amarmos uns aos outros. Eu acredito no amor e que ele pode resgatar a inocência dessas crianças”, opinou.

Do 3º ano do Lapidando Talentos, Jhonattan Vasques Duarte lembra da experiência da tia, que adotou uma criança, para reforçar a diferença que o amor e atenção podem fazer na vida de uma pessoa. “A população, muitas vezes, não visa esse lado da adoção. Eu mesmo tenho meu primo, que foi adotado aos 5 anos, e com o trauma que ele sofreu com os pais quando era bebê, fazer parte de uma família ajudou muito, mudou a vida dele. Quem conheceu ele pequeno hoje não reconhece mais. Eu adotaria uma criança porque todo mundo necessita de um lar, de um carinho, é uma criança inocente, a gente vê nos olhos que elas não precisam de bens materiais, o mais importante é o carinho”, considerou.

Justiça

Juiz da Vara da Infância e Juventude de Corumbá e Ladário, Maurício Santos afirma que atualmente, 30 crianças encontram-se em situação de acolhimento no município e, portanto, necessitam de atenção especial. “Os alunos do projeto Lapidando Talentos têm sido grandes parceiros nossos, se fazendo presentes nas casas de acolhimento. Este intercâmbio de experiências leva para as crianças o exemplo de que, antes de mais nada, é preciso estudo e dedicação, e, para os alunos, traz a constatação de uma realidade tão ou mais difícil do que a própria realidade deles. Isso já tem refletido, segundo o relato de pais e mães, na melhora do comportamento deles, e, para nós, que gerimos a casas de acolhimento, na valorização dessas crianças acolhidas. A formação de laços, a prática da boa ação, são fatores que constituem o valor do ser humano, e isso não tem preço”, avaliou.

A psicóloga Auriane Ribeiro da Silva explicou que interessados em adotar uma criança, ou em ser um padrinho afetivo e financeiro de uma delas, podem procurar a Assistência Municipal dos municípios ou o Núcleo Psicossocial do Fórum. “A iniciativa do Sesi e Senai, com o Lapidando Talentos, de trazer esses jovens até o acolhimento para que haja uma interação, uma troca experiências com essas crianças institucionalizadas, fortalece os vínculos com a comunidade. As pessoas têm a visão de que adotar é muito difícil, burocrático, mas não é assim. Temos crianças que estão precisando de padrinho afetivos, pessoas que não têm interesse em adotar, mas que podem ajudar”, finalizou.

O projeto

O Lapidando Talentos tem o intuito de ampliar a oferta de trabalhadores para o mercado de trabalho no setor industrial em Corumbá e Ladário, ao mesmo tempo em que propicia oportunidades dignas de trabalho aos jovens. Há um processo seletivo, no qual podem participar estudantes das redes públicas estadual e municipal que estão prestes a concluir o Ensino Fundamental.

Por ano, cerca de 200 alunos fazem uma prova e os 30 que obtêm melhor desempenho tornam-se bolsistas do Lapidando Talentos. Os estudantes passam, então, a cursar gratuitamente o Ensino Médio na Escola do Sesi de Corumbá aliado a cursos técnicos no Senai do município. Todo material didático e uniformes são doados aos alunos.