Barbosinha não pode incorrer também nos erros de Murilo Zauith e Délia Razuk, que não se deixaram assessorar politicamente no comando da administração

Nunca antes na história da política douradense alguém havia se preparado tanto para ser prefeito como o deputado Valdenir Machado, em 1992, quando cumpria, já, seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, depois de duas vezes vereador representante do distrito do Panambi. A disputa era pela cadeira de seu amigo e correligionário Braz Melo, cuja administração, de tão bem avaliada, credenciava o prefeito a disputar dali a dois anos a sucessão do governador Pedro Pedrossian. Mas, Braz contrariou a lógica, resolvendo testar seu prestígio com um candidato sem votos. Com os brios feridos Valdenir, pelas circunstâncias, não teve nenhuma dificuldade de eleger prefeito seu colega também deputado Humberto Teixeira, mudando o curso da história política de Dourados e do estado.
Em 1996, depois de reeleito para o terceiro mandato como deputado estadual, Valdenir Machado teve um gesto de grandeza, aceitando ajudar o mesmo Braz Melo a voltar à prefeitura, aí, na condição de vice-prefeito. A esta altura do campeonato sucessório o cavalo encilhado por Braz Melo para Wilson Martins em 1994 já estava sendo preparado para Zeca do PT. Pantaneiro precavido, já governador, Orcírio trouxe uma montaria especial de Porto Murtinho para o companheiro Tetila, porque sabia que entre os obstáculos para tomar a prefeitura de Braz Melo estava Valdenir, conterrâneo de Tetila lá da região de Ribeirão dos Índios, no interior de São Paulo. E foi assim que o professor de geografia conhecido por sua paciência oceânica fez história ao adentrar o novo século e o novo milênio como prefeito de Dourados, e, de japa, ganhado a reeleição em 2004.
Sem mandato, Valdenir Machado assistiu, incógnito, as lambanças do período uragânico, com Ari Valdecir Artuzi, sucedido interinamente por Délia Razuk, até a eleição de Murilo Zauith (para um mandato tampão), que se reelegeu e devolveu prefeitura a Délia. O máximo que fez neste ínterim foi comandar as duas eleições de Reinaldo Azambuja na região de Dourados, ganhando como prêmio de consolação a tal da vice-governadoria, que durou até Murilo Zauith assumir o cargo de fato e de direito.
Agora, na extensa lista de nomes dos voluntariosos candidatos a assumir uma das prefeituras mais encalacradas do interior brasileiro, lá estava, de novo, o de Valdenir Machado. Aí veio o imponderável: a Covid-19. Como os tucanos tinham pressa e seu presidente regional Sérgio de Paula é de um pragmatismo descomunal, aproveitaram o período em que o pré-candidato respirava com dificuldade numa UTI para descerem logo do muro, anunciando apoio à candidatura governista já colocada – a do deputado Barbosinha.
Claro que Barbosinha aceitaria, e de muito bom grado, até para não repetir o erro estratégico de Geraldo Resende, nas eleições passadas, que aceitou a imposição do nome de um novato sem votos como companheiro de chapa. Além da densidade eleitoral da famosa “República do Panambi”, uma vez eleito, Barbosinha não pode incorrer também nos erros de Murilo Zauith e Délia Razuk, que não se deixaram assessorar politicamente no comando da administração. Murilo, por alguns carmas dos quais não consegue se livrar. Délia até que tentou, trazendo ninguém menos que Raufi Marques para sua secretaria de governo, mas ela se esqueceu de pedir autorização para o Ministério Público e deu no que deu.
Pelo avançado da idade, pois, Valdenir Machado talvez não consiga realizar o antigo sonho de ser prefeito de Dourados, mas, como aceitou ser vice-governador de araque, por que não ser, por exemplo, secretário de governo, fazendo o que sabe e gosta, que é política, deixando para o prefeito, tão qualificado como gestor, o macro da administração? Só assim para Dourados, que já foi Cidade Modelo e Cidade Educadora, sair dessa inhaca – muito provavelmente praga de Ari Atuzi – que vem desde que correram com o fenômeno eleitoral da prefeitura?
Do contraponto




















