Mato Grosso do Sul, Segunda-Feira, 02 de Agosto de 2010
CELULAR BRASILEIRO
Telefone celular é como cola Super Bond. Depois que encosta, não desgruda mais. O Dirsi (Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação) fez levantamento com base o ano de 2009, criando um usuário padrão brasileiro do pré-pago, que, por mês, faz 30 chamadas de curta distância e 33 mensagens de torpedo. Comparou as despesas que este mesmo usuário teria, para o mesmo tipo de operações, se fosse de outra nacionalidade. O brasileiro, como sempre, é o pato internacional. Desta vez nas mãos das operadoras de celular que trabalham no Brasil. O estudo levou em conta, para uniformizar, a PPP (paridade de poder de compra) nos países avaliados. O Brasil ganha disparado de todos na América Latina e entre os países emergentes. Enquanto este usuário gasta 45 dólares por mês aqui, no segundo colocado, Honduras, gasta 26 dólares. Sim, Honduras, pequeno e pobre país da América Central. Pelas mesmas operações um jamaicano gasta mensalmente 3,6 dólares. A média da América Latina comparada com a Europa é de 24 dólares aqui e 13 na Europa. Ou seja, como o Brasil é o mais caro, nossas despesas são três vezes maiores que as de um europeu, que ganha mais que um brasileiro.
Enquanto o governo brasileiro deixa as companhias de celular nos explorar, é fácil entender o porquê dos negócios de poucos dias atrás, envolvendo companhias telefônicas de Portugal e da Espanha, girar em bilhões de dólares, com o objeto principal, abocanhar no mercado brasileiro de telefonia. A Vivo, maior operadora de telefonia celular do Brasil lucrou no primeiro semestre de R$ 427,9 milhões, 36% superior ao valor apurado no mesmo período de 2009. A TIM Brasil lucrou R$ 631 milhões no trimestre e a Oi R$ 496 milhões no mesmo período. Esta dinheirama é transformada em dólares para pagar os acionistas estrangeiros e o dinheiro vai embora. Ao final, todos os dólares mandados embora por lucros de multinacionais no primeiro semestres de 2010, foram de quase 15 bilhões de dólares e nosso déficit das contas externas chegou a 27 bilhões de dólares. Este descompasso, entre o preço real que o brasileiro paga por um produto, muitas vezes mais do que o pago pelos ricos europeus, e o que por justiça deveria pagar para se igualar a eles, significa que, centavo por centavo, real por real, somos explorados e sugados, a cada minuto do dia, todos os dias. Até quando?