Visita virtual garante proximidade da família a pacientes internados na UTI do HU-UFGD

Modalidade implantada com o início da pandemia é operacionalizada pelos profissionais do Serviço Social e da Psicologia Hospitalar

Paciente comemora aniversário internado na UTI, e interage com a família por meio de chamada de vídeo – Divulgação

Em março, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) implantou o Plano de Contingência Covid-19 para combate à pandemia e prevenção de contágio do novo coronavírus. Uma das primeiras medidas adotadas foi a restrição às visitas e acompanhantes, visando reduzir a quantidade e o fluxo de pessoas no ambiente hospitalar. Uma situação difícil em qualquer tipo de internação, mas particularmente angustiante para familiares e paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Diante da situação, e após receber a doação de um aparelho de telefone celular, por uma enfermeira do hospital, e dois tablets, por uma empresária da cidade, a UTI Adulto do HU-UFGD implantou a modalidade de visita remota, possibilitando a comunicação por internet entre pacientes e familiares. “A modalidade de visita remota foi iniciada no final de março, quando as visitas presenciais foram restringidas no hospital, visando segurança dos pacientes e seus familiares, reduzindo exposição no trajeto e dentro do próprio hospital”, conta o médico Hermeto Macario Amin Paschoalick, chefe da UTI Adulto.

“Estamos realizando as chamadas de vídeo desde o início da pandemia e desde o primeiro paciente com Covid que nós tivemos. O serviço de Psicologia e o Serviço Social ficam responsáveis pela realização das chamadas, identificação dos familiares que irão receber, etc”, relata a psicóloga Francyelle Marques de Lima.

As ligações são realizadas por whatsapp, o que torna a modalidade bastante acessível e promove situações tão inusitadas quanto gratificantes. “Realizei uma chamada de vídeo entre um paciente que tinha acordado do coma na UTI e sua mãe e seu filho. Durante a chamada, eles permaneceram ao lado de um muro e depois o paciente relatou que é porque eles usavam a rede de wifi compartilhada com o vizinho”, relata Francyelle.

Diariamente são realizadas chamadas de vídeo com os pacientes que estão conscientes. “Para os que estão intubados, mesmo os que estão sedados ou em coma, nós colocamos áudios que as famílias encaminham”, revela a psicóloga.

As chamadas de vídeo também são utilizadas entre a equipe de saúde e os familiares. “Fazemos os procedimentos de admissão pelo vídeo em alguns casos. Muitas notícias de óbito também estão sendo dadas por chamada de vídeo, quando esta é a única maneira”, diz Francyelle. A UTI Adulto do HU-UFGD conta hoje com 14 leitos destinados a pacientes de Covid1-19 e outros 5 leitos para pacientes não Covid.

Desafios

Lidar com o cotidiano de uma UTI é sempre um desafio, mas a realidade forjada pela pandemia exige superação extra por parte dos profissionais da assistência. “Não estávamos preparados para enfrentar uma situação como a atual. Nossa unidade avançava rapidamente no aspecto de humanização, já contando com a presença e a ajuda dos familiares ao lado do leito em período integral, com participação nas visitas multiprofissionais e em procedimentos. Então a experiência de realizar o contato somente pelo meio virtual trouxe muita frustração e receio. Tentar fazer com o que familiar se sinta acolhido é um desafio imenso, e talvez impossível. Escolhemos, portanto, individualizar a forma como a comunicação é realizada. Em todos os casos o boletim médico diário é passado por telefonema simples. Nesses contatos conseguimos avaliar a possibilidade de vídeo chamada e, se pertinente, planejada ao lado do paciente. A equipe de Psicologia e Serviço Social organiza, planeja e executa essas ações de forma brilhante”, relata o médico Hermeto Paschoalick.

“As chamadas são uma forma muito potente de cuidado, e isso muda o dia do paciente e dos familiares. A filha de uma paciente nos enviou a seguinte mensagem: ‘Obrigada de coração, essa ligação muda nosso dia’”, completa Francyelle.

“Numa UTI, o sofrimento é uma constante. Entre familiares e pacientes, é imensurável. Entre os profissionais, é desestruturante. Mas concentramos nosso esforço multiprofissional (incluo aqui a comunidade) para que esse momento não cause mais dor do que o inevitável”, finaliza Hermeto.

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