Vencedores do MPT na Escola em Dourados são premiados com tablets

Abraçando o projeto, prefeitura incentiva adesão de alunos e professores à teia de combate ao trabalho infantil

Para celebrar os trabalhos vitoriosos da etapa municipal do Prêmio MPT na Escola, três estudantes de Dourados, na região Sul do estado, foram premiados pela prefeitura do município com um tablet, em uma grande cerimônia realizada na Câmara Municipal, envolvendo a participação de autoridades, alunos e familiares, além da procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS), Cândice Gabriela Arosio.

O projeto MPT na Escola é um incentivo à adesão da comunidade escolar na luta da instituição pela erradicação do trabalho infantil, e envolve inúmeras etapas – da sensibilização à capacitação dos educadores e equipes pedagógicas das instituições de ensino – até a culminância no prêmio, que seleciona as melhores produções literárias, artísticas e culturais que abordam o tema, e são elaboradas pelos estudantes inscritos. Neste ano, alunos do ensino fundamental da rede pública de 15 municípios sul-mato-grossenses estiveram envolvidos no projeto.

Em Dourados, o prefeito Alan Guedes abraçou o projeto e, em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, optou por um estímulo a mais, presenteando com os tablets os três melhores trabalhos e três professoras, valorizando o empenho das educadoras para viabilizar a participação das crianças e adolescentes no projeto.

Ao todo, 70 alunos participaram desta edição, e receberam um certificado, e três deles foram premiados: Elisa Ester Nolasco de Souza, Brenda Carolyni Mendes Ramão e Luiz Eduardo Zimmer, e as professoras Aryane Marta Marques de Carvalho, Marinalva Maria da Silva e Letícia Berloffa Rodrigues.

“Percebemos que a maior parte dos casos de evasão escolar está em crianças que entram no mercado de trabalho fora da idade correta. O certo é que elas concluam o ensino médio, tendo acesso a uma educação completa, conduta que facilita o acesso ao mercado de trabalho e empregos dignos”, destacou Cândice Arosio, que também é gerente nacional do MPT na Escola e titular de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente do MPT-MS.

Durante a cerimônia, a procuradora acrescentou, ainda, que a qualidade dos trabalhos inscritos vem demonstrando que o objetivo maior da iniciativa do projeto, que é conscientizar crianças e famílias sobre as mazelas do trabalho infantil, vem sendo alcançado.

Para o prefeito de Dourados, Alan Guedes, o reencontro com a comunidade escolar após um longo período de distanciamento imposto pela de covid-19, para comemorar e premiar os estudantes, foi gratificante. “Esta cerimônia mostra que, mesmo enfrentando um dos maiores desafios da atualidade, continuamos acreditando e nos dedicando para levar a educação para dentro de casa, e manter esse laço tão importante entre a criança e a escola, nos faz chegar cada vez mais longe como sociedade”, declarou.

A secretária municipal de Educação, Ana Paula Benitez Fernandes, disse que levar um projeto como o MPT na Escola para as escolas durante a pandemia foi um desafio, mas que com a redução significativa dos casos e na ocupação de leitos hospitalares em Dourados e em todo o estado, pretende expandir a adesão das instituições e dos alunos.

“A escola tem um papel importante no aprendizado do aluno, e falar sobre temas que podem reduzir a evasão escolar é necessário. Nós lutamos para que o direito de aprender e estudar esteja disponível para qualquer fase de ensino, mas nosso trabalho é buscar que eles concluam no tempo correto”, pontuou.

MPT na Escola

O MPT na Escola é a versão nacional de uma iniciativa que teve início no Ceará em 2008, o Peteca, e graças à adesão das secretarias de educação, está presente desde 2012 nos municípios de Mato Grosso do Sul. A iniciativa já mobilizou mais de 350 mil estudantes e outros 23 mil profissionais de ensino em todo o país.

O projeto tem como objetivo central levar o ECA para o ambiente das salas de aula e, já na primeira infância, conscientizar meninos e meninas sobre o trabalho infantil. Para isso, o MPT conta com o apoio primordial de toda a comunidade escolar, com foco nos professores e nas professoras, que são os grandes agentes da promoção e sensibilização dos alunos e alunas.

A instituição promove a capacitação periódica de toda a equipe da instituição de ensino participante do projeto, como técnicos das secretarias, diretores, coordenadores e docentes, além de fornecer kits e materiais pedagógicos que norteiam e viabilizam a inserção do MPT na Escola na rotina pedagógica.

O projeto é desenvolvido em cinco etapas. A primeira delas se caracteriza pela capacitação de um técnico da secretaria municipal de Educação, que vai atuar como coordenador daquele local. Essa fase, conduzida pelos procuradores do Trabalho da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), é marcada por palestras, exibição de vídeos, dinâmicas e debates sobre o conceito de trabalho infantil, os mitos e as concepções equivocadas sobre o assunto e as consequências dessa prática no futuro das crianças.

Em seguida, são capacitados os coordenadores pedagógicos das escolas selecionadas (segunda etapa) e os professores (terceira etapa). Estes, por sua vez, irão abordar em sala de aula, diretamente com os alunos, os temas propostos (quarta etapa), incentivando-os a realizarem trabalhos que permitam uma avaliação dos resultados da ação (quinta etapa).

Para coroar todo esse processo e reconhecer o empenho de alunos e professores, é realizado o Prêmio MPT na Escola, que seleciona os melhores trabalhos literários, artísticos e culturais dos estudantes das instituições de ensino que integram o projeto em todo o Brasil.

DEIXE UM COMENTÁRIO/RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.