Trump taxa novas importações chinesas, mas negocia pelo aço do Brasil

Presidente estadunidense impôs uma sobretaxa de 25% sobre mercadorias vindas do país asiático; siderurgia brasileira negocia com a Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em junho que vai impor uma taxa de 25% sobre o valor das importações da China que possuírem “tecnologias industrialmente significativas”. Segundo os jornais estadunidenses, hoje esse volume de compras feitas a partir dos EUA entregam US$ 50 bilhões (R$ 188 bi) aos chineses.

No comunicado divulgado pela Casa Branca, Trump diz que tomou a decisão porque a China roubou propriedade intelectual e tecnológica, além de manter posturas comerciais injustas com os estadunidenses. “Essas tarifas são essenciais para prevenir maiores transferências injustas de tecnologia e propriedade intelectual americana à China, além de proteger empregos nos EUA”, continua a nota.

Em março, Trump já havia imposto outras duas taxas sobre importações chinesas: 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio. Nos EUA, produtos como geladeiras inox, peças automotivas e até indústrias pesadas dependem desse tipo de mercadoria.

À época, ele disse que o déficit comercial de Washington em relação a Pequim era injusto, mas iniciou uma longa rodada de negociações com os chineses encerrada neste mês. O governo da China anunciou que vai responder às medidas de Trump.

As medidas do presidente estadunidense também devem afetar a indústria siderúrgica brasileira, já que as sobretaxas também foram colocadas sobre as importações do país. Em maio, no entanto, Trump anunciou que suspenderá a decisão até junho.

Recentemente, a Casa Branca afirmou que está negociando um acordo com os brasileiros para importar cotas específicas sem as taxas extras. Propostas semelhantes estão na mesa para a Argentina e a Austrália.

Os EUA são os maiores compradores do aço brasileiro: 25% de tudo o que o Brasil produz é vendido para o país do Norte. Os outros fornecedores são os argentinos, os australianos e a Coreia do Sul – que conseguiu uma isenção definitiva das taxas em março.