Trump quer Lula em Conselho de Paz sobre Gaza e gera tensão diplomática

Lula deverá decidir nos próximos dias se aceita participar do conselho – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) integre um “Conselho de Paz” voltado à reconstrução da Faixa de Gaza colocou o governo brasileiro diante de um impasse geopolítico delicado. Segundo a CNN Brasil, a iniciativa, liderada por Washington, demanda avaliação cuidadosa por parte do Palácio do Planalto antes de qualquer resposta oficial.

Lula deverá decidir nos próximos dias se aceita participar do conselho. Antes disso, ele e sua equipe diplomática irão analisar os potenciais impactos de sua adesão à proposta, considerando o histórico da política externa brasileira, marcada pela defesa do multilateralismo e da mediação de conflitos sob a liderança das Nações Unidas (ONU). O Planalto também buscará mais informações sobre o funcionamento do grupo.

A carta-convite foi enviada diretamente ao presidente brasileiro na sexta-feira (16), por meio da Embaixada do Brasil em Washington. Segundo o documento, a proposta americana prevê a criação de um conselho internacional para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, após os conflitos iniciados em 2023 entre Israel e o grupo Hamas. A liderança do processo será dos Estados Unidos, tradicional aliado do governo israelense.

A decisão exigirá um cálculo político e diplomático por parte de Lula. Desde o início da guerra em Gaza, o presidente brasileiro tem se posicionado criticamente à ofensiva militar de Israel e defendido firmemente a criação de um Estado palestino. Aceitar o convite poderia ser interpretado como uma mudança de postura, especialmente pelo envolvimento direto dos EUA na condução do projeto.

A posição crítica de Lula em relação à atuação de Israel foi reforçada em diversos fóruns internacionais, incluindo a Assembleia Geral da ONU, onde chegou a qualificar as ações militares israelenses como “genocídio”. Em fevereiro de 2024, a tensão diplomática se agravou quando o governo de Benjamin Netanyahu declarou o presidente brasileiro como persona non grata, após ele comparar a operação militar em Gaza ao Holocausto.

Outros líderes sul-americanos também foram convidados a integrar o conselho. O presidente da Argentina, Javier Milei, já confirmou sua participação e declarou que será “uma honra” fazer parte da iniciativa americana. A composição do chamado “Conselho Executivo Fundador” inclui nomes como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff.

Além da formação do conselho, a Casa Branca também anunciou a criação de um comitê técnico formado por palestinos, que seria responsável por administrar a Faixa de Gaza durante o processo de reconstrução, como parte do plano intermediado pelos Estados Unidos. A proposta busca dar caráter internacional à gestão do território, ainda que sob coordenação americana.

Entretanto, a reação de Israel ao anúncio foi de rejeição. Neste sábado (17), o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou que a iniciativa não foi discutida previamente com o governo israelense e que ela contraria a política oficial de Tel Aviv. O chanceler israelense, Gideon Saar, deve tratar diretamente do tema com Marco Rubio nos próximos dias, tentando alinhar posições diante do novo cenário diplomático.

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