
A mudança na equipe de defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, elevou nos bastidores de Brasília a avaliação de que um acordo de colaboração premiada passou a ser uma possibilidade concreta no caso que investiga suposta fraude financeira ligada ao grupo. Segundo a CNN Brasil, a substituição ocorreu nesta sexta-feira (13), em meio ao avanço das investigações e à manutenção da prisão preventiva do banqueiro.
O criminalista José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa no lugar de Pierpaolo Bottini. A troca foi interpretada no meio político e jurídico como um movimento relevante, sobretudo porque aconteceu poucas horas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formar maioria para manter Vorcaro preso.
Com isso, a discussão deixou de ser apenas sobre a permanência do empresário na prisão e passou a girar em torno de um possível acordo de delação. Entre integrantes de diferentes campos políticos, da esquerda ao Centrão, a questão agora é por qual caminho uma eventual colaboração seria formalizada: pela Procuradoria-Geral da República ou pela Polícia Federal.
Independentemente da via escolhida, a eventual colaboração precisará passar pelo crivo do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Nos bastidores, interlocutores avaliam que essa definição será decisiva para medir o alcance do acordo e os desdobramentos que ele pode produzir sobre nomes do meio político e institucional.
Outro elemento que amplia a tensão em torno do caso é a rede de contatos atribuída a Vorcaro. Há suspeitas de conexões do empresário com servidores públicos, parlamentares, dirigentes partidários e até integrantes do Judiciário, o que alimenta a preocupação de aliados e adversários sobre até onde ele estaria disposto a avançar em troca de benefícios legais.
O caso também colocou sob escrutínio a relação do banqueiro com ministros da própria Corte, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Esse contexto ajuda a explicar por que, entre interlocutores do Centrão, existe a percepção de que uma negociação conduzida pela Polícia Federal poderia ter alcance mais amplo, enquanto uma tratativa com a PGR seria, na visão desse grupo, mais delimitada.
Antes mesmo da troca de defesa, a PF e a PGR já haviam sido sondadas por interlocutores de Vorcaro sobre a disposição para um eventual acordo. Segundo relatos publicados pela CNN Brasil, as conversas tiveram caráter preliminar e serviram como uma consulta inicial aos investigadores, caso o empresário decidisse rever sua estratégia jurídica.
O vazamento dessas sondagens, porém, também foi interpretado como uma tentativa de pressionar por uma possível soltura às vésperas do julgamento no STF. A estratégia não surtiu efeito: em menos de uma hora após a abertura do plenário virtual, a Segunda Turma já havia formado maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro.
Até o momento, acompanharam o relator André Mendonça os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes ainda não havia votado quando a maioria foi consolidada, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito e ficou fora da análise. O Supremo também confirmou a manutenção das prisões de outros investigados no caso.
Entre pessoas próximas ao empresário, cresce a avaliação de que a hipótese de delação ganhou força após a prisão, numa tentativa de frear o avanço das apurações sobre familiares e patrimônio. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também está preso, e o pai do empresário, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal sob suspeita de ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Banco Master em seu nome, na gestora Reag.




















