terça-feira, 12 - maio - 2026 : 23:47

Transportes e alimentação puxam inflação, e IPCA sobe para 0,88% em março

Gasolina, passagens aéreas e diesel responderam por mais de 30% do IPCA de março – Foto: Assecom

Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a 0,88%, superando em 0,18 ponto percentual (p.p.) o índice de fevereiro (0,70%). Essa alta foi puxada pelos preços dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas que, juntos, responderam por 76% do IPCA de março.

Nos Transportes, a alta mais relevante foi a da Gasolina (4,59%), com impacto de 0,23 pontos percentuais na inflação do mês. Outras altas ocorreram em Passagem aérea (6,08%) e Diesel (13,90%), embora com menos impacto, devido aos menores pesos desses subitens no índice geral. Já em Alimentação e bebidas, os subitens Leite longa vida (11,74%) e Tomate (20,31%) tiveram as elevações de preços mais importantes, com impactos de 0,07 e 0,05 pontos percentuais sobre o IPCA do mês. Juntos, esses cinco subitens foram responsáveis por 0,43 pontos percentuais do IPCA de março (0,88%).

O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, observa que “em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”.

No ano, o IPCA acumula alta de 1,92% e, nos últimos 12 meses, de 4,14%, acima dos 3,81% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março do ano passado, o IPCA fora de 0,56%.

Todos os grupos do IPCA tiveram altas de preço

Os nove grupos de produtos e serviços do IPCA tiveram altas de preços em março. O líder foi Transportes, com alta de 1,64% e 0,34 p.p. de impacto, seguido por Alimentação e bebidas (1,56%, com impacto de 0,33 p.p. no índice do mês). Juntos, os dois grupos respondem por 76% do IPCA de março. As altas dos demais grupos oscilaram entre 0,02%, em Educação e 0,65%, em Despesas pessoais.

Para Fernando Gonçalves, “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”

Salvador, São Luís e Belém têm as maiores altas no IPCA de março

Entre as 16 localidades onde o IBGE coleta preços para o cálculo do IPCA, a maior variação ocorreu em Salvador (1,47%), influenciada pela alta da gasolina (17,37%) e das carnes (3,56%). A menor variação ocorreu em Rio Branco (0,37%), por conta do recuo da energia elétrica residencial (-3,28%) e das frutas (-3,72%).

Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, respectivamente as regiões metropolitanas com o maior e o terceiro maior peso no IPCA, o índice de março foi de 0,78%, ficando abaixo da média do país (0,88%). Já em Belo Horizonte, a região metropolitana com o segundo maior peso, o IPCA de março subiu para 0,93%.

Em março, INPC sobe para 0,91%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) chegou a 0,91% em março, ficando 0,35 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,56%). No ano, o INPC acumula alta de 1,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,77%, acima dos 3,36% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o INPC havia chegado a 0,51%.

O grupo dos produtos alimentícios no INPC acelerou de fevereiro (0,26%) para março (1,65%). Já a variação dos não alimentícios passou de 0,66% em fevereiro para 0,67% em março. Fernando observa que “a maior contribuição nos alimentos se dá por conta do maior peso do grupo no INPC”

A maior variação do INPC ocorreu em Salvador (1,52%), puxada pela gasolina (17,37%) e pelo tomate (49,25%). Já a menor variação ocorreu em Rio Branco (0,33%), com o recuo da energia elétrica residencial (-3,28%) e do óleo de soja (-6,46%).

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