Em guerra comercial com o país asiático, EUA podem ter prejuízo de 50 milhões de toneladas na safra de milho

A ministra Tereza Cristina – Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está confiante que o Brasil volte a exportar carne bovina para a China. Ela afirmou que pedirá o fim da suspensão de envio ao país asiático, após a Organização Internacional de Saúde Animal terminar o processo de análise. A suspensão ocorreu devido aquele caso atípico de Vaca Louca, nome dado à doença cerebral em bovinos adultos que pode ser transmitida aos seres humanos por carne contaminada. O caso foi identificado no Mato Grosso e já encerrado, segundo o MAPA.

Segundo Carla Mendes, jornalista do Notícias Agrícolas, “Essa suspensão aconteceu porque o Brasil e a China tem um protocolo sanitário bilateral que foi assinado em 2015 e que determina a suspensão em casos como esse. No entanto, a confiança da ministra Tereza Cristina sobre a retomada breve desses embarques tem a ver com o fato desse caso já ter sido encerrado. Nós devemos ver a China pedir a retirada da suspensão das exportações logo que esse processo na Organização Internacional de Saúde Animal for finalizado. Esse protocolo prevê essa suspensão, no entanto, só quando a contaminação for por alimentação infectada, o que não aconteceu. Por isso que se espera que seja logo revisto e o Brasil volte a embarcar carne bovina. Lembrando, o Brasil tem uma pecuária com certificado de qualidade, muito responsável. E queremos retomar o quanto esses embarques para a China, que atualmente é o nosso maior comprador no momento. ”

Sobre o panorama internacional, especialistas apontam que os Estados Unidos podem ter um prejuízo de cerca de 50 milhões de toneladas na safra de milho. O que pode ter causado isso? O Brasil pode se dar bem com essa situação?

“O clima extremamente desfavorável, uma área recorde que deve ficar sem plantação nos Estados Unidos justamente por conta desse cenário desfavorável de clima e uma perda de produtividade que já começa a ser registrada, calcula-se então essa quebra de produção na safra americana que pode ser maior, caso a situação não comece a melhorar. As condições não estão previstas para melhorar nos próximos dias. Com isso, o Brasil deve ser ainda mais demandado de milho. Devemos ver o Brasil exportando mais milho, inclusive nós já temos uma exportação no Brasil muito aquecida. Temos o milho batendo recordes de exportação no mês de maio, mesmo faltando ainda uma semana para fechar o período e já supera as 8,2 milhões de toneladas no acumulado desde janeiro. Podemos exportar 35 milhões de toneladas, segundo especialistas aqui do Brasil, o que ajudaria a desafogar a produção desse ano, e essa abertura que os EUA vai deixar pode ser suprida pelo Brasil. Além disso, os EUA começaram um conflito comercial com o México, que é um dos maiores compradores de milho, o que pode fazer com que eles voltem os olhos para o Brasil”, diz Carla.