quarta-feira, 04 - março - 2026 : 18:15

Telediagnóstico em dermatologia amplia acesso e identifica casos de câncer de pele em MS

Implantado em 2019, serviço já está presente em 28 municípios, com 43 pontos de atendimento e resolve cerca de 70% dos casos na Atenção Primária, sem necessidade de encaminhamento presencial

Objetivo é ampliar o acesso à dermatologia, classificar riscos e priorizar encaminhamentos conforme a gravidade – Foto: Arquivo SES

O telediagnóstico em dermatologia tem fortalecido a rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município de origem. A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país.

Além de ampliar o acesso, a ferramenta é reconhecida pelo Ministério da Saúde como estratégia capaz de aumentar a resolutividade da APS (Atenção Primária à Saúde), com potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem a necessidade de consulta presencial com dermatologista.

O objetivo central é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia, classificando o risco das lesões e organizando a fila de encaminhamentos conforme a gravidade.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde) e garante mais resolutividade na ponta. “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma.

Como funciona o fluxo

O processo começa na UBS (Unidade Básica de Saúde), onde o médico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, sendo responsável pela triagem e decisão clínica. Em seguida, é realizado o registro fotográfico da lesão, etapa considerada decisiva para a qualidade do diagnóstico, que pode ser feita por profissional capacitado ou pelo próprio médico.

As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas.

O serviço atende tanto casos suspeitos de câncer de pele (melanoma e não melanoma) quanto outras dermatoses, permitindo que grande parte das situações seja resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários e qualificando a fila para atendimento presencial.

A superintendente de Saúde Digital da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Marcia Tomasi, ressalta que o telediagnóstico organiza o fluxo assistencial. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontua.

Diagnóstico precoce e impacto no câncer de pele

Desde a implantação do serviço, em 2019, Mato Grosso do Sul já conta com 28 municípios, com 43 pontos de atendimento, aderidos à oferta de telediagnóstico em dermatologia. Com base nos dados do serviço, foram identificados casos de melanoma e câncer de pele não melanoma em diferentes macrorregiões do estado.

Melanoma

  • Centro: 5 casos (3 municípios)
  • Pantanal: 33 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 4 casos (2 municípios)
  • Costa Leste: 13 casos (7 municípios)

Não melanoma

  • Centro: 32 casos (4 municípios)
  • Pantanal: 125 casos (2 municípios)
  • Cone Sul: 42 casos (7 municípios)
  • Costa Leste: 103 casos (7 municípios)

Os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que apresenta maior agressividade. Ao identificar a lesão em estágio inicial e encaminhar rapidamente para confirmação e tratamento, aumentam-se significativamente as chances de cura e controle da doença.

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, destaca que a qualidade do registro é determinante para o sucesso do serviço. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explica.

Estrutura, segurança e adesão dos municípios

Para implantar o serviço, o município deve formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem (smartphone ou câmera digital), seguindo especificações técnicas mínimas de qualidade.

A habilitação exige cadastro no sistema, capacitação para realização do registro fotográfico e cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo identificação adequada das lesões e termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens.

Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e devem ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência.

Tecnologia a serviço da Atenção Primária

De natureza ambulatorial, a teledermatologia fortalece a resolutividade da Atenção Primária e amplia a capacidade diagnóstica dos municípios. Ao mesmo tempo em que evita deslocamentos e filas desnecessárias, garante prioridade aos casos de maior risco e contribui diretamente para o enfrentamento do câncer de pele no estado.

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