Fábrica em Dourados foi desativada no dia 31 de janeiro, quando também ocorreu a demissão de 52 dos 62 empregados da unidade

Em um esforço consorciado para amenizar os efeitos negativos do desligamento de mais de 1 mil funcionários da Indústria Fertilizantes Heringer S.A. em todo o país, entidades sindicais com base em cinco estados exigiram celeridade no pagamento dos salários referentes a janeiro, cujo atraso já supera 20 dias. A cobrança foi feita durante reunião na sede da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar), na capital paulista, sendo também sustentadas alternativas para reverter as demissões em massa.

De acordo com o presidente da Fequimfar, Sérgio Luiz Leite, apesar da previsão de prazos no processo de recuperação judicial da empresa, deve-se considerar que o salário possui natureza alimentar, merecendo especial proteção para o suprimento de necessidades básicas.

Após ouvir as reivindicações, o gerente jurídico da Fertilizantes Heringer Rafael Camargo disse que a liquidação das dívidas derivadas de relações trabalhistas depende de outras questões vinculadas à viabilidade da recuperação judicial, como o deferimento do plano pela Justiça e ainda o amparo de credores e de fornecedores.

Outros representantes da empresa presentes à reunião esclareceram que, nos últimos anos, diversos fatores inerentes à estrutura operacional comprometeram o desenvolvimento da Heringer. Como exemplo das influências negativas, citaram que em dezembro do ano passado houve o bloqueio judicial de contas bancárias em ação de cobrança movida por um fornecedor de origem russa, o que contribuiu de modo significativo para o agravamento da situação econômico-financeira. Além disso, a comercialização mais lenta do mercado consumidor somada às profundas crises econômicas que se sucederam no cenário internacional, gerando oscilações do câmbio e elevação do preço dos insumos, afetaram sobremaneira o faturamento da empresa. Em 2016, os rendimentos da Heringer chegaram a R$ 5,3 bilhões de reais, caindo em 2017 para R$ 4,8 bilhões e em 2018 para R$ 3,8 bilhões.

Entre as medidas apresentadas na reunião pelos representantes sindicais para sanear o impasse dos salários em atraso, está o agendamento de audiência com a juíza responsável pelo caso, na tentativa de sensibilizá-la para a urgência em reparar a irregularidade e o desequilíbrio na relação laboral. Os sindicalistas também questionaram dirigentes da empresa se haverá o fechamento de novas unidades produtivas e como ocorrerá a interlocução com as entidades que assistem os trabalhadores. Até o momento, as atividades da Heringer foram interrompidas em Dourados/MS, Rondonópolis/MT, Três Corações/MG, Uberaba/MG, Rio Verde/GO, Porto Alegre/RS, Rio Grande/RS, Paranaguá/PR e Rosário do Catete/SE.

Endividada, a companhia – uma das cinco maiores do setor de fertilizantes do país – entrou com pedido de recuperação judicial no dia 4 de fevereiro na comarca da cidade de Paulínia/SP. Dias após a solicitação ser deferida, ex-funcionários da Fertilizantes Heringer bloquearam o portão de acesso à fábrica em Dourados e impediram a entrada de uma carreta que foi ao local para retirar matéria-prima usada na fabricação de adubo.

Dourados

A fábrica da Heringer em Dourados foi desativada no dia 31 de janeiro, quando ocorreu a demissão em massa de trabalhadores, afetando 52 dos 62 empregados da indústria. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar e do Álcool de Dourados e Ponta Porã (STIAEB), Donizetti Aparecido Martins, permanecem na empresa apenas dois funcionários do setor de Recursos Humanos e há outros oito afastados para tratamento de saúde e licença-maternidade.

Paralelo à articulação do movimento sindical, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo com base em denúncia recebida no dia 14 de fevereiro. A medida serve para apurar supostas irregularidades no pagamento de salários e de verbas rescisórias. Atualmente, a Heringer possui 927 funcionários diretos e 700 representantes comerciais terceirizados. Em um passado recente, a empresa chegou a contar com mais de 3 mil colaboradores próprios e 1 mil terceirizados.

Referente à NF 000037.2019.24.001/0 – 18