Simpósio aborda experiências em conservação de raças ovinas locais

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a Uniderp, a Fundação Manoel de Barros e a Embrapa realizam nos dias 25 e 26 de abril oSimpósio do Ovino Pantaneiro – uma raça localmente adaptada sul-mato-grossense, em Campo Grande (MS). O objetivo do encontro é levar aos ovinocultores os resultados de pesquisas alcançados nos últimos dez anos em relação à linhagem genética.

“Entre os resultados temos as avaliações de ganho de peso, reprodução, sanidade, produção e características do leite, lã e pele, além de amplos estudos de sua carne e análises econômicas da criação”, afirmam os pesquisadores Marcos Barbosa Ferreira (Uniderp), Fernando Miranda de Vargas Jr. (UFGD) e Fernando Reis (Embrapa). Os especialistas comentam que a ovinocultura ganhou espaço e profissionalização, com informações de mercado e custo de produção intensificadas, o que refletiu em pesquisa.

Atualmente, há uma rede de pesquisadores com foco no ovino pantaneiro, consolidada por meio da iniciativa “Estratégias para caracterização racial, genética e conservação do ovino pantaneiro”, financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), sob liderança da UFGD. Há também um projeto da Embrapa que busca gerar conhecimentos para a produção de cordeiros a pasto no cerrado e quebrar a sazonalidade produtiva, com dados sobre características de carcaça e qualidade da carne, proporcionando animais para abate ao longo de todo o ano.

Os especialistas alertam que apesar dos avanços há dificuldades para a cadeia como a ampliação do rebanho, maior retenção de fêmeas para reposição e aumento no número de matrizes, alternativas de produção para atendimento das exigências do mercado, diminuição do custo de produção buscando escala e padronização dos produtos e a capacitação de mão-de-obra, um antigo gargalo.

Programação Simpósio

O evento será dividido em duas partes, com apoio do Governo do Estado de MS – Semagro, Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (ARCO), Associação Sul-mato-grossense de Criadores de Ovinos (Asmaco), Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV/MS) e Marcarne. A primeira acontecerá na Unidade Agrárias da Uniderp, no dia 25, com palestras, exposição e comercialização de produtos.

Temas como ovelha pantaneira, raças autóctones, carne ovina e criação de ovinos adaptados serão levantados por pesquisadores da UFGD, Uniderp, Universidade de Lisboa, Centro de Investigação e Tecnologia Agroalimentar (Espanha) e Embrapa. Com espaços para mesas-redondas e reunião técnica. Um dos destaques é a partilha de experiências positivas na Europa, com os pesquisadores Rui Bessa e Begonã Doblado, que conciliam a preservação de raças locais ao apelo comercial de seus produtos.

No dia 26 de abril, sexta-feira, os participantes conhecerão o Núcleo Regional Centro-Oeste para Caprinos e Ovinos da Embrapa, localizado na Fazenda Modelo, em Terenos (MS), em um dia de campo, por adesão.

Ainda durante o Simpósio será formalizada a criação da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos Pantaneiros (ABCOPAN), uma iniciativa dos produtores.

A chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Caprinos e Ovinos, Ana Clara Cavalcante, considera eventos como o Simpósio muito relevantes e explica que a Embrapa tem projetos com animais geneticamente adaptados e melhorados para os diferentes biomas brasileiros. “Além do Pantanal, temos, no Semiárido, núcleos de conservação de rebanhos de ovinos das raças Morada Nova, Somalis e Santa Inês. Nosso desafio é levar esses animais dos campos experimentais para o ambiente produtivo, para que sejam úteis aos sistemas de produção”.

Ovino Pantaneiro

Um dos itens considerados pela ARCO para a efetivação do ovino pantaneiro como raça são os projetos e resultados de pesquisa na região. Os pesquisadores desejam a preservação da raça, para que sua genética não corra risco de extinção, a partir da introdução de animais exóticos. Ovinos pantaneiros são considerados os planteis criados extensivamente no Pantanal.

Segundo eles, até o momento, “já está estabelecida a variabilidade genética e o potencial para avanços do desempenho produtivo, por meio do melhoramento genético. Agora se propõe uma metodologia denominada “conservação e uso”, na qual se busca a preservação aliada a um atrativo comercial de interesse do setor produtivo”.

Além disso, se pretende definir as qualidades da matriz, respondendo a questionamentos como: “comparativamente a outras raças e sistemas de produção distintos, como a ovelha pantaneira se comporta” e “qual seria a indicação da futura raça para uma determinada condição de criação?”.

Serviço: Simpósio do Ovino Pantaneiro

Data: 25 e 26 de abril

Local: Uniderp Agrárias e Embrapa

Informações:http://bit.ly/2UHyyZa