Estudo avaliou a situação das calçadas nas principais cidades do país

Um levantamento realizado pela ONG Mobilize Brasil revelou as melhores e as piores capitais brasileiras para pedestres. De acordo com o estudo Campanha das Calçadas do Brasil 2019, as cidades de São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS) foram as mais bem avaliadas em quesitos como acessibilidade, sinalização, conforto para quem caminha e segurança para o pedestre. As capitais mais mal avaliadas foram, em ordem decrescente, Belém (PA), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Salvador (BA) e São Luís (MA).

Com o objetivo de chegar ao índice de “caminhabilidade” (walkability, em inglês) de cada uma das 27 capitais brasileiras, o estudo considerou o entorno de prédios e equipamentos públicos, avaliando tanto aspectos técnicos como subjetivos, entre os quais: a presença de calçadas largas e bem conservadas, cobertura vegetal, rotas fáceis, comércio interessante, qualidade do ar, ruído e segurança. Ao cabo de cerca de 10 mil medições, a média das capitais foi calculada em 5,71, abaixo da nota 8,0, considerada pela ONG como a pontuação mínima para garantir um caminhar confortável.

A cidade de São Paulo conquistou nota 6,93 na avaliação — a mais alta entre todas as cidades. Entre as áreas analisadas, os pesquisadores destacaram a presença de locais exemplares, que foram alvo de requalificação e investimentos públicos nos últimos anos. Entretanto, as faixas “caminháveis”, somadas, não chegam a mil quilômetros — pouco quando comparados ao total de 30 mil quilômetros estimados em toda cidade. “E algumas pontes, viadutos e avenidas são praticamente intransponíveis para pedestres e cadeirantes, exigindo estratégias que permitam evitar essas muralhas de concreto repletas de veículos pesados”, revelam os avaliadores que participaram da pesquisa.

Já Belém, a cidade com pior avaliação, teve nota de 4,52. A capital experimentou uma considerável expansão no tráfego de veículos durante os últimos anos, o que contribuiu para a redução do espaço destinado ao pedestre. De acordo com o levantamento, os principais problemas encontrados foram: calçadas mal cuidadas — principalmente em bairros afastados — e ausência de faixas, semáforos e placas para pedestres. Além disso, foi observado a insuficiência e inadequação das rampas de acesso para cadeirantes e a escassez de vegetação nas vias públicas, que poderiam trazer mais conforto aos pedestres considerando o clima quente da cidade.

Maioria dos deslocamentos é feita a pé

De acordo com dados do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da ANTP (Associação Nacional de Transporte Público), 40% dos deslocamentos realizados pelos brasileiros em 2016 foram feitos a pé, fazendo com que a modalidade superasse qualquer outro meio de transporte, inclusive os motorizados. A caminhada é um meio de transporte econômico e de baixo impacto, com potencial de reduzir o tráfego e a poluição. Entretanto, para que seja uma alternativa segura, é preciso que se garanta a caminhabilidade nas calçadas.

O estudo realizado pela Mobiliza Brasil constatou que há uma discrepância entre a qualidade observada nas calçadas localizadas no entorno de prédios públicos e naquelas que circundam as construções privadas. As últimas apresentam qualidade inferior e são mais suscetíveis a problemas como desnivelamento, largura insuficiente, falta de acessibilidade e inclinações prejudiciais para a segurança dos pedestres, que podem sofrer com quedas e lesões.

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o custo com cada queda pode ser, em média, de R$ 2.500. O montante considera despesas com resgate, atendimento médico — tanto o realizado na hora como os posteriores, entre eles os prestados por profissionais formados em faculdade de fisioterapia — e prejuízos relacionados a queda na produção por conta de afastamentos do trabalho.

Orteco