Do Globo Esporte

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira se manifestou após o “Relatório Garcia” ir a público através da Fifa nesta terça-feira. No documento, vazado inicialmente por um jornal alemão, ele é citado como possível beneficiado num esquema de compra de apoio para levar a Copa do Mundo de 2022 para o Catar. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ele afirmou que o relatório não é conclusivo e viu com naturalidade sua relação com o comitê da candidatura Catari. Teixeira ainda negou que vá fazer um acordo de delação com a Justiça dos Estados Unidos.

– Não existe esse acordo. É ridículo dizerem que telefonei para o Sandro (Rosell) combinando um lugar para morar. Quero ver a gravação dessa conversa. Tem lugar mais seguro que o Brasil? Qual é o lugar? Vou fugir de quê, se aqui não sou acusado de nada? Você sabe que tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não.

Além das citações no relatório divulgado nesta semana, Teixeira é alvo de investigações na Espanha que dizem que o brasileiro consultou Rosell sobre um possível destino para morar no exterior em caso de problemas com a Justiça. Na mesma denúncia, os espanhóis o acusam de ter dividido € 15 milhões com o ex-presidente pela venda de direitos em amistosos da Seleção. Ele nega tudo.

– Nunca recebi dinheiro da empresa do Sandro. Mas quero falar do relatório não conclusivo do Garcia. O relatório não é conclusivo – completou Teixeira.

Em outro momento da entrevista, Teixeira é questionado se leu o documento de 430 páginas escrito pelo investigador americano Michael Garcia em 2014.

– Não li. Não vou ler um relatório que não é conclusivo. Tudo é “se”, “teria”. Ele falou que levei dinheiro aqui ou ali. É só teria. Ele disse que recebi? Deixa eu dizer uma coisa para você entender: não recebi presente, não recebi presente e não recebi presente!

De acordo com o relatório, Teixeira recebeu tratamento “top vip” e se hospedou por quatro noites na suíte presidencial do hotel Four Seasons, em Doha, que tem até praia particular. O custo da diária foi de US$ 5.490, pagos pela candidatura do Catar a sede do Mundial de 2022. O valor era 18 vezes mais que a de Messi e 30 vezes a de Robinho.

– Esse negócio é tão ridículo. Me recuso a responder. Deixa eu fazer uma pergunta simples. Quando, por exemplo, a Inglaterra vem jogar aqui, quem vai pagar a hospedagem no Copacabana Palace do presidente da federação? A CBF vai pagar.

Questionado se violou o Código de Ética da Fifa ao receber dinheiro do comitê de candidatura do Catar, Teixeira, que à época era um dos 23 integrantes do Comitê Executivo da federação internacional, responsável pelas sedes das Copas de 2018 e 2022, foi direto.

– Qual é a diferença que faz federação do Catar do governo? Lá tem um dono só. Estou mentindo? Quem pagou? Sei lá quem pagou. Com toda a honestidade, você quer ser mais realista que o rei? Alguma vez viajando com a seleção eu me preocupei para saber quem pagava a conta da minha hospedagem?

Por fim, negou que tenha utilizado amistosos da Seleção como fachada para receber dinheiro em troca do apoio pela candidatura do Catar.

– Repito o que disse há três anos. O voto no Catar foi um acerto dos sul-americanos para apoiar a candidatura conjunta da Espanha e Portugal (para 2018). No acordo, o Catar daria os votos dos eleitores deles para a Espanha, que acabou ficando em segundo. Em troca, daríamos os nossos para o Catar. Não teve dinheiro e nem confusão com a CBF. A única pessoa envolvida nessa eleição fui eu. O preço do jogo que fizemos no Qatar com a Argentina foi literalmente o mesmo do contrato dos outros jogos. O contrato era de US$ 1,15 milhão. Mas recebi apenas US$ 800 mil porque a empresa dona dos direitos da seleção tinha me antecipado US$ 8,5 milhões na assinatura do contrato.

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