Programa Acalento proporciona atendimento integrado a vítimas de violência sexual

Lançado na manhã desta terça-feira (29) no HU-UFGD, programa visa dar mais agilidade, continuidade e resolutividade no atendimento às vítimas e na investigação dos crimes

Cerimônia de lançamento do Acalento – Programa Multiprofissional de Assistência a Vítimas de Crimes Sexuais – Divulgação

Uma cerimônia simples, realizada no auditório do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) na manhã desta terça-feira (20), marcou o lançamento do Acalento – Programa Multiprofissional de Assistência a Vítimas de Crimes Sexuais.

O evento reuniu representantes das diversas instâncias parceiras no atendimento às vítimas de violência sexual, como saúde, justiça, segurança pública e serviço social. Compuseram a mesa de autoridades a reitora da UFGD, Liane Maria Calarge, o superintendente do HU-UFGD, Ricardo do Carmo filho, o secretário municipal de Saúde de Dourados, Renato Vidigal, que representou a prefeita Délia Razuk, o delegado regional da Polícia Civil em Dourados, Lupércio Degerone, que representou o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, e o médico Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo de Medicina Legal de Dourados, profissional do HU-UFGD, idealizador e coordenador do Programa Acalento.

Ao abrir a cerimônia, o médico fez um breve relato do histórico do programa e apontou as vantagens do atendimento integrado: “Além de fazera profilaxia, toda a atenção à saúde, e os procedimentos legais, como registro da ocorrência, tudo no mesmo local, também se torna possível estabelecer um link com as outras áreas de assistência, favorecendo o seguimento do atendimento necessário, como encaminhamentos para serviço de psicologia, por exemplo”.

O secretário municipal de Saúde, Renato Vidigal, parabenizou a todos pelo Programa e reafirmou que o HU-UFGD pode contar com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde.

Já o delegado regional, Lupércio Degerone, apontou os avanços que têm havido em Dourados. “Estamos evoluindo dia a dia e creio que mais projetos virão, mais adequações virão, para atendermos melhor as mulheres e crianças vítimas de violência, pois nós, agentes públicos, temos o dever de trabalhar para construir uma sociedade moralmente e espiritualmente mais evoluída”, disse.

O superintendente do HU-UFGD, Ricardo do Carmo Filho, lembrou que a concretização do Programa Acalento se deve ao envolvimento e compromisso de todas as esferas da administração do hospital: “A sala está adequada, a equipe assistencial prontamente abraçou a ideia, definiu os fluxos e pactuou o trabalho. Tudo fluiu com muita naturalidade. Esse processo mostra que o HU é capaz de abraçar as causas da humanização, e sem esquecer que a nossa missão é o ensino, que estamos formando profissionais que levarão para a vida as marcas do trabalho realizado aqui”.

A reitora Liane Calarge encerrou a cerimônia cumprimentando a gestão do HU-UFGD pela realização do programa e apontando as boas perspectivas dessa proposta de atendimento: “As pessoas fragilizadas pelos crimes sexuais perdem a capacidade de sonhar. Um programa assim oferece amparo para que elas possam voltar a viver e a sonhar. Carinho e cuidado vão fazer a diferença no atendimento, para trazer mais esperança a essas pessoas”.

O Programa

O HU-UFGD, que já é a referência para o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência sexual, em Dourados, continuará recebendo os pacientes no Pronto Atendimento de Ginecologia e Obstetrícia (PAGO), como no fluxo em vigência. O diferencial instituído pelo Programa, no entanto, é a otimização da assistência de forma global, pois todo o ciclo de atenção poderá ser feito em um único local: no próprio hospital, sem a necessidade de deslocamentos por parte da vítima.

Desta forma, a vítima será acolhida por profissionais médicos e enfermeiros no PAGO do HU-UFGD, que acionarão a assistência de outros integrantes do grupo multiprofissional, como assistentes sociais, psicólogos e outros médicos especialistas que, por ventura, necessitem avaliar o quadro. As vítimas serão, inclusive, atendidas em uma sala especificamente preparada para a finalidade, a “sala lilás”, onde será feita a profilaxia para doenças sexualmente transmissíveis e a anticoncepção.

Paralelo a esse atendimento, se a vítima (a mulher) ou familiares (da criança) estiverem de acordo, a Polícia Civil será ativada para enviar uma equipe ao hospital, de forma a registrar o Boletim de Ocorrência e requerer as perícias, que serão realizadas também no próprio HU-UFGD, já que, por meio do Acalento, ele passa a ser um posto médico-legal. Este detalhe é fundamental, pois muitas vítimas não comparecem à delegacia devido à gravidade de suas lesões e, consequentemente, deixam de denunciar o crime e passar pela coleta de vestígios.

A iniciativa, que começou a ser idealizada em 2015, tem um formato diferente de todas as ações já instituídas em Mato Grosso do Sul e está saindo oficialmente do papel por meio de parceria entre o hospital e o Governo do Estado, na atuação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, da Polícia Civil, do Núcleo de Medicina Legal de Dourados e da Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.